Do ébola ao zika: IBM cria molécula para "matar" todos os vírus

Os primeiros testes em animais, em laboratório, mostraram que esta estratégia teve sucesso em vírus como o Ébola e o dengue

São pequenos, muito diferentes uns dos outros e mudam com grande facilidade: é a sua capacidade de adaptação que torna os vírus tão difíceis de destruir. É por isso que todos os anos há uma nova vacina da gripe, por exemplo. Uma possível estratégia para os vírus, do ébola ao zika, vem de uma gigante a informática, a IBM.

Um grupo de investigadores da IBM e do Instituto de Bioengenharia de Singapura focou-se no que os vírus têm em comum e desenvolveram uma macromolécula que pode ser uma ameaça para muitos destes vírus.

Esta macromolécula ataca as glicoproteínas, as estruturas que os vírus usam para infetar se agarrar às células. Resumindo e simplificando, a macromolécula atrai os vírus, agarra-se a eles e impede que estes se infetem células saudáveis. Depois, neutraliza os níveis de acidez do vírus, tornando mais difícil a sua replicação.

Os primeiros testes em animais, em laboratório, mostraram que esta estratégia teve sucesso em vírus como o Ébola e o dengue. No entanto, é necessária mais investigação antes de esta estratégia poder ser considerada viável.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.