Designers portugueses fazem sucesso em Milão

Pedro Pedro e Carlos Gil fizeram desfilar as coleções de moda outono-inverno na Semana de Moda de Milão, pela mão do Portugal Fashion. E o público aplaudiu de pé

Esta quinta-feira, 22 de fevereiro, a moda portuguesa voltou a pisar solo italiano com Pedro Pedro e Carlos Gil a apresentarem as coleções para mulher de outono / inverno para 2018-2019. Padiglione Visconti, na Via Tortona 58, em Milão foi o espaço escolhido para dar a conhecer as propostas dos dois designers portugueses que nesta Semana de Moda de Milão, com o apoio do Portugal Fashion, mostraram propostas para uma mulher formal, elegante e ativa usar na próxima estação fria.

Pedro Pedro foi o primeiro a apresentar a coleção, intitulada Le Bureau (O Escritório). Rompendo com o estilo casual sportswear que tem vindo a seguir, o estilista português surpreendeu com peças mais formais, capazes de transportar o público para o ambiente de trabalho. "Não gosto de estagnar. Gosto de me desafiar a mim próprio. É claro que se nota que são coisas minhas, têm o meu cunho, mas o intuito era dar uma proposta a mulheres mais adultas. Uma classe de roupa que tem sido negligenciada é a roupa de trabalho e eu procurei dar uma proposta interessante fugindo um pouco à camisa branca e ao fato, tentando dar mais personalidade à roupa de trabalho", declarou Pedro Pedro depois do desfile.

Claramente inspirado no workwear, para o próximo inverno, Pedro Pedro trouxe à passerelle camisas, algumas abertas nas costas ou nos ombros, saias e vestidos longos, algumas sobreposições, modelos de gola alta e peças oversize. Um formal desconstruído à medida do designer: "Os grandes volumes tornam tudo menos formal, apesar das cores serem todas muito formais e clássicas: o camel, o castanho, o branco. Eu queria agarrar naquilo que é a ideia de que uma camisa é uma camisa e brincar um bocadinho para torná-la interessante e diferente, usando os materiais apropriados", explicou.

Além dos tons neutros surgem, por vezes, cores como o amarelo e o azul. Quanto a tecidos, a aposta foi para o algodão, lãs grossas e sarjas brutas. Materiais impermeáveis e protetores também marcaram presença: " Nas últimas estações têm sido os materiais mais interessantes. Acho que o vestuário passa muito pela inovação dos materiais, se calhar as formas já estão todas feitas e portanto aqui é uma questão de styling e de tentar inovar. Onde há o grande salto e de grande importância é na parte técnica dos materiais e na evolução que eles têm tido", afirmou.

Se a mulher de Pedro Pedro cresceu, está mais madura e mais forte, segundo do estilista, ela vai ao encontro da mulher ideal apresentada por Carlos Gil.

Inspirado na correria do quotidiano, o estilista desenvolveu peças que considera serem adaptáveis a qualquer hora do dia. "Vinte e Quatro Horas", assim se chama o trabalho que trouxe à passerelle italiana, poucas horas depois do desfile de Pedro Pedro.

"Esta coleção é inspirada numa mulher de 24h. Uma mulher que se veste de manhã, mas que a vida dela não são exclusivamente 8 horas de trabalho, depois da hora laboral ela tem sempre algo mais. E tem algo preparado, seja no escritório ou no carro. Um peça ou acessório que a transforme, permitindo a ida a uma festa ou a um cocktail", explicou Carlos Gil.

É uma mulher que se desdobra, estando sempre pronta para todas as ocasiões. Assim como as peças do estilista. Casacos reversíveis que facilmente se convertem de um ambiente formal para outro mais festivo: "Pode ser desde um sapato que lhe dê outro brilho, até ao próprio bomber de palietes ou algo dourado. A coleção tem sempre um apontamento de dourado ou de prata, de reflexos, porque é inspirada nas luzes e nos reflexos da noite".

O designer apostou numa paleta de cores bem diversificada, desde o azul, ao amarelo, laranja, rosa e verde. Apostando em vestidos e alguns casacos longos, todos com acabamentos perfeitos: "Tenho sempre um apontamento de cor muito forte nas coleções que vai desde os materiais aos acabamentos. Disso nunca foge, faz já parte da marca. Desde a caxemira à seda, às peles, tudo isso já faz parte da própria marca, depois o que vem a seguir é a inovação e criatividade que impera no momento".

A grande surpresa surgiu no fim com as modelos a desfilarem com os bombers reversíveis pendurados nas costas. Com casa cheia, a plateia aplaudiu de pé.

"Tenho muita honra de poder representar o meu país. Esta é a sexta vez que consigo estar presente e espero estar muito mais vezes. Tem sido com muita dificuldade, porque é muito expressivo financeiramente, mas com a ajuda do Portugal Fashion, abrem-se portas e tudo se torna possível".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.