Desde 2003 que o viaduto de Alcântara apresenta problemas

Infraestrutura foi alvo de várias vistorias técnicas tendo sido identificadas anomalias em 2003 e 2005. Em 1999 já estava prevista a construção de um novo viaduto para substituir o provisório que ontem provocou o caos na zona

Projetado para ser uma estrutura provisória, o viaduto metálico de Alcântara começou a ser erguido nos anos 70, mas há quase duas décadas já existia um projeto para a construção de um viaduto definitivo naquela zona, que ontem viveu uma manhã de caos, devido a um desvio num pilar do viaduto, que obrigou ao corte de trânsito.

Alvo de várias vistorias técnicas ao longo dos anos, foram identificadas anomalias em 2003 e 2005, o que levou a uma intervenção em 2005, depois de o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) ter elaborado um relatório, no qual alertava para a falta de segurança daquela estrutura.

Em 1999, já estava prevista a construção de um novo viaduto para substituir o provisório. Em declarações ao DN, o arquiteto Bruno Soares, responsável pela arquitetura da obra, disse naquela altura que esse viaduto iria "substituir definitivamente a passagem superior rodoviária de Alcântara, provisória há anos". Obras que deveriam ter acontecido entre 2001 e 2002 e que seriam da responsabilidade do Porto de Lisboa, que foi contactado pelo DN, mas não respondeu até ao fecho desta edição.

Em 2003, o LNEC identificou novamente problemas graves no viaduto, o que levou à interdição do trânsito a pesados. A estrutura acabaria por ser reabilitada em 2005, quando Pedro Santana Lopes era presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Uma intervenção orçada em 1,5 milhões de euros e que incluiu a colocação de piso antiderrapante, o reforço das estruturas com chapas metálicas e beneficiação geral do viaduto.

Nessa altura, o estudo urbanístico Alcântara XXI, realizado pela Câmara de Lisboa e pelo governo, previa a construção de uma rotunda e de um túnel rodoviário entre a Avenida de Ceuta e a Avenida Brasília.

O vereador do PCP, Carlos Moura foi o único que deu uma explicação para o facto de o projeto não ter avançado : "a Refer não tem interesse e a câmara não se tem imposto". "Quando temos uma câmara que não se impõe e as empresas não querem fazer, as situações vão-se arrastando e acabam por cair em alguma incúria", defendeu.

Embate provocou danos

Foi uma manhã complicada em Lisboa. A ligação ferroviária entre Algés e o Cais do Sodré esteve cortada entre as 08.00 e as 11.00, devido a um desvio num pilar do viaduto de Alcântara. De acordo com um comunicado da Câmara Municipal de Lisboa, "todos os indícios apontam para que o desvio tenha sido causado pelo embate de um veículo pesado na guarda superior do viaduto, impacto esse que levou à deslocação da estrutura e do pilar". Uma informação reforçada, no local, pelo vereador Manuel Salgado, que afirmou não existir "qualquer risco de colapso do viaduto".

Segundo a autarquia, o viaduto é "regularmente examinado pelos serviços técnicos competentes", e a última vistoria foi a 13 de fevereiro deste ano. A mesma fonte garante que não foi "detetada qualquer anomalia ou problema no viaduto".

Depois de ter sido feita a avaliação dos riscos, a Infraestruturas de Portugal "entendeu, na sequência dessas avaliações, estarem reunidas as condições de segurança para reabrir a circulação ferroviária, passando as composições a uma velocidade reduzida junto do viaduto". No troço entre Algés e o Cais do Sodré, a circulação passou a ser feita a 10 quilómetros/hora.

Na nota enviada às redações, a Câmara de Lisboa adiantou que "a circulação rodoviária sobre o viaduto vai continuar encerrada", tendo sido mobilizados "todos os meios técnicos para fazer a reparação do tabuleiro e normalizar as condições de funcionamento do viaduto". Entre as 02.00 e as 06.00 estava prevista a montagem de "dispositivos hidráulicos para elevar o tabuleiro com vista a colocar esta estrutura e o pilar na posição correta".

PSD e PCP culpam maioria PS

Para os vereadores do PSD e do PCP, o desvio no pilar do viaduto é da responsabilidade da maioria socialista. "Estou muito preocupado com o que começa a estar visível na cidade relativamente às consequências da falta de investimento na sua manutenção", disse o vereador António Prôa (PSD) à Lusa. Já o vereador comunista Carlos Moura considera que "parecem multiplicar-se na cidade as situações em que faltou o cuidado e a observação do que poderia levantar risco".

À margem de um encontro sobre a venda de ações da TAP aos trabalhadores, o secretário de Estado das Infraestruturas disse, ontem, que "está a acompanhar" o problema do desvio do pilar do viaduto de Alcântara, mas lembrou que "a responsabilidade é da Câmara Municipal de Lisboa". Guilherme W. d"Oliveira Martins garantiu, no entanto, que será dada "toda a colaboração para encontrar uma solução e garantir a segurança".

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