De França ao Iraque, a catedral dos touros coleciona 94 bandeiras

Grandes acontecimentos taurinos para 2016 foram apresentados ontem. É o 10.º aniversário da reinauguração da praça

As corridas de touros voltam amanhã ao Campo Pequeno, com um festival tauromáquico de beneficência que será um aperitivo do ambiente que voltará à arena lisboeta a partir de 14 de abril, dia em que abre oficialmente a temporada - que dura até outubro. Mas desengane-se quem pensa que a Praça esteve vazia nos últimos quatro meses. Além do público em concertos, exposições, restaurantes e no centro comercial, só pelo novo museu passaram mais de 11 mil pessoas de 94 países desde que o espaço foi inaugurado, em junho do ano passado.

Fascinados pela arquitetura de estilo neoárabe, turistas chegam ao engano, pensando estar a entrar numa mesquita. Lá dentro são surpreendidos com a história taurina portuguesa, que se cruza com a história do Campo Pequeno. "Há pessoas que não sabem que ainda há tauromaquia em Portugal", conta Joana Pina, gestora do museu.

São os franceses quem mais visita o museu, porque "havia uma grande cultura taurina em França, que foi desaparecendo". Gostam do tema e vêm conhecer mais sobre as tradições portuguesas. Em segundo lugar aparecem os portugueses, seguindo-se alemães, brasileiros, italianos e espanhóis. A maioria dos turistas são europeus, mas há visitantes de todo o mundo, nomeadamente de países como Iraque, Uganda e Nova Zelândia. São sobretudo casais ou grupos, com idades entre os 25 e os 45 anos.

O que mais fascina os turistas são os trajes: "a cor, o material, o brilho, os bordados." E também as bandarilhas, "embora alguns fiquem um pouco reticentes". Joana Pina conta que mesmo quem não é fã de corridas gosta do museu. "Mostramos a história, sem chocar. Nunca ninguém se mostrou chocado com o que viu." Quem visita o museu tem a oportunidade de pisar a areia e até de manusear os instrumentos do toureiro.

Como vem sendo habitual, a temporada deste ano terá 12 corridas (14 de abril, 19 de maio, 2, 16 e 30 de junho, 14 e 28 de julho, 4, 18 e 25 de agosto, 8 e 29 de setembro) e uma novilhada (a 11 de agosto). "A expectativa é dar continuidade ao sucesso da época passada [mais de 60 mil espectadores], sendo que esta é uma temporada extraordinária, que marca o 10.º aniversário da reinauguração do Campo Pequeno", explicou ao DN Rui Bento Vasques, diretor tauromáquico.

Na abertura da temporada, Rui Bento Vasques destaca o tão aguardado regresso de João Salgueiro, "grande figura, símbolo da tauromaquia". Em praça estarão também os cavaleiros João Ribeiro Telles e o rejoneador (matador a cavalo, a mais antiga tradição taurina) espanhol Manuel Manzanares. O Real Grupo de Forcados Amadores de Moura e o do Aposento da Moita vão pegar os touros.

No dia 19 comemoram-se os 10 anos da reinauguração do Campo Pequeno, repetindo-se o cartel dessa data histórica. A 1 de junho, Rui Bento Vasques realça a presença de Pablo Hermoso de Mendoza e da francesa Léa Vicens. No dia 16 haverá uma corrida com um cartel surpresa e a 30 regressa à arena, para atuar em solitário, o matador Morante de la Puebla. Pelo Campo Pequeno vão passar ainda nomes como Luís Rouxinol e Luís Rouxinol Jr., os matadores Juan José Padilla y Juan del Álamo, entre outros.

"O Campo Pequeno é uma referência internacional ao nível das capitais mais relevantes da tauromaquia como Madrid, Sevilha ou o México. É a catedral do toureio a cavalo", diz o diretor tauromáquico.

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