Corpo de Samira encontrado no dia em que se realizou o funeral da irmã

Foi na localidade onde vivem os avós maternos que Viviane, de 19 meses, foi a enterrar. Agentes à paisana estiveram atentos ao funeral e uma carrinha da Intervenção Rápida estava a postos

No dia do funeral da bebé de 19 meses que a mãe largou à morte no mar, na praia de Giribita, em Caxias (Oeiras), apareceu o corpo da sua irmã de quatro anos, Samira. Precisamente naquele que era o último dia de buscas já anunciado pela Polícia Marítima.

Viviane, a bebé resgatada sem via na zona de rebentação, logo na noite de segunda-feira, foi ontem lembrada por dezenas de pessoas que compareceram no seu funeral, no cemitério de Rio de Mouro, em Sintra. Como o pai, Nélson Ramos, tem sido ameaçado nas redes sociais e pediu proteção policial, a PSP compareceu e vigiou o cemitério de forma discreta, com agentes à paisana. No exterior, estava uma carrinha da Intervenção Rápida, escondida dos olhares dos populares para não causar impacto.

O advogado do pai das crianças, Rui Maurício, também marcou presença no funeral. Segundo adiantou ao DN no local, o seu constituinte "continua a ser ameaçado no facebook por familiares da ex-mulher". O pedido de proteção policial que dirigiu, em seu nome, à Procuradoria Geral da República ainda não teve resposta. Mas o advogado conta que seja aprovado e que essa proteção da PSP seja assegurada de forma sempre discreta.

Os agentes à paisana estiveram também na igreja de Rio de Mouro, onde se realizou um missa antes do funeral.

Nélson Ramos esteve todo o tempo das cerimónias fúnebres a ser amparado por familiares, pela mãe, o irmão e outros. Com o rosto marcado pela perda segurava na mão uma rosa branca, a flor que foi em cima do caixão da filha. Os pais de Sónia Lima e outros familiares da mulher que afogou as filhas também estavam inconsoláveis. Nesta tragédia todos perderam.

A mãe das duas crianças, Sónia Lima, está em prisão preventiva no hospital prisional de Caxias, na ala psiquiátrica. Mesmo que quisesse não poderia ir ao funeral das filhas, dada a sua condição de detida.

A mulher teria planeado afogar as filhas e suicidar-se no mar também, na noite de segunda-feira, mas quando se viu aflita começou aos gritos e acabou socorrida por um taxista. Esse homem, a única testemunha daquele momento, já contou à TVI que Sónia ainda mostrou arrependimento, tendo pedido ao taxista para salvar as suas filhas. Mas era tarde demais.

Samira encontrada na praia

O corpo da irmã de Viviane, Samira, de 4 anos, desaparecida desde segunda-feira junto à praia de Giribita, em Caxias (Oeiras) foi encontrado no domingo de manhã, por populares. De acordo com o que disse à Lusa o comandante da Capitania de Lisboa, Malaquias Domingues, mesmo sem a identificação formal, as autoridades acreditam que o corpo seja da criança que estava desaparecida.

Um homem que passeava na praia encontrou o corpo ainda dentro de água, na praia da Giribita. Em declarações à SIC Notícias, explicou que foi preciso tirar a criança da água. A Polícia Marítima , que tinha vários agentes nas buscas, chegou logo em seguida e isolou a área.

Agora, como é obrigatório em processos crime, o corpo da criança será autopsiado para confirmação da causa da morte. Apesar de o afogamento ser a causa mais provável , a autópsia permite despistar se a criança podia ter sido morta antes e depois largada no mar. No exame feito ao corpo da bebé Viviane, a autópsia indicou apenas a asfixia por afogamento como a causa da morte.

A mãe das crianças está indiciada por duplo homicídio qualificado. O Ministério Público considerou que agiu "com especial censurabilidade e perversidade". Vai ficar em prisão preventiva a aguardar o julgamento mas apresenta um quadro depressivo que requer especiais medidas na prisão. Para já, está no hospital prisional de Caxias em observação, na enfermaria da ala psiquiátrica. Não pode estar isolada por ser potencialmente suicida.

Quando, e se, for transferida para outro estabelecimento prisional - provavelmente a cadeia feminina de Tires, em Cascais - será provável que seja vigiada de perto pelos guardas prisionais. No código moral silencioso dos reclusos os pais ou as mães que matam os filhos estão no fim da linha, ou seja, são passíveis de ser castigados pelos outros presos.

Sónia Lima agiu por alegada vingança em relação ao pai das crianças, de quem se tinha separado em novembro e com quem ia disputar a guarda das filhas.

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