Condenado a pena de prisão por enterrar a cadela viva

Construtor civil foi condenado à revelia a uma pena suspensa de um ano e quatro meses de prisão

Um construtor civil de 53 anos foi condenado à revelia no passado dia 6 de abril, pelo Tribunal de Grândola, a uma pena suspensa de um ano e quatro meses de prisão por ter enterrado viva a sua cadela, que estava doente.

Segundo o jornal Público, o homem recusou-se a comparecer no julgamento, mas o tribunal deu como provado os maus-tratos ao animal, que apesar de ter sido resgatado acabou por morrer, duas semanas depois.

Tudo aconteceu em janeiro do ano passado: Teresa Campos, da associação Focinhos, recebeu uma denúncia anónima por telefone: diziam-lhe que há vários dias se ouvia um cão uivar nas traseiras do restaurante Barco do Sado, na localidade da Carrasqueira. Chamou a GNR e dirigiu-se ao local, onde encontrou uma cadela da raça Husky deitada numa pequena cova, por trás de uma porta trancada e bloqueada com tijolos. Em cima do corpo, a cadela tinha uma grelha de ferro, presa com um bloco de cimento. O dono, que entretanto apareceu no local, escreve o Público, terá dito que ali colocara o animal porque "estava à espera de o mandar abater".

A cadela foi levada para o Hospital Veterinário da Arrábida, onde viria a morrer. Tinha uma doença parasitária - as larvas transmitidas por mosquitos alojaram-se-lhe no coração e artérias pulmonares - e precisava de assistência de um veterinário, mas o dono terá ignorado a situação. A cadela, Big, acabou por ser abatida por apresentar problemas neurológicos graves que impediam a recuperação.

O dono da Husky não vai recorrer da sentença do tribunal, mas diz-se injustiçado, alegando que os militares da GNR inventaram o cenário que encontraram por trás do restaurante de que a mulher é proprietária. Terá de pagar à Focinhos a conta do hospital veterinário e entregar ainda 250 euros à associação, além da pena suspensa de cadeia.

Como pena acessória, ficou ainda proibido de ter animais durante três anos. Mas, refere o Público, com os donos de Big moram outro cão e um gato. "Nem pensem em vir buscar o outro cão que tenho", disse ao Público o construtor civil. "Aí já mexem comigo."

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