Computador deteta melanomas com mais sucesso do que dermatologistas

Um grupo de investigadores treinou uma máquina de inteligência artificial para distinguir lesões de pele malignas das benignas e testou-a contra 58 médicos

Um teste que visava perceber o grau de sucesso na deteção de casos de cancro de pele colocou frente a frente um computador e vários dermatologistas. Segundo os resultados apresentados esta terça-feira, a máquina "ganhou" à maior parte médicos.

Neste caso, o computador CNN - uma rede neural convolucional - foi treinado por humanos e ultrapassou-os. Uma equipa de investigadores da Alemanha, dos Estados Unidos da América e da França ensinou o sistema de inteligência artificial a distinguir as lesões perigosas de pele das benignas, através da amostragem de mais de 100 mil imagens.

A máquina foi testada contra 58 dermatologistas oriundos de 17 países. Pouco mais de metade dos médicos tinha mais de cinco anos de experiência, 19% tinham entre dois e cinco anos e 29% eram recém-licenciados com menos de dois anos de experiência.

O resultado foi claro. "A maioria dos dermatologistas foi superada pela CNN", escreveu a equipa de investigadores num artigo publicado na revista Annals of Oncology.

Em média, os dermatologistas humanos detetaram com precisão 86,6% de casos de cancro de pele apresentados, contra os 95% da CNN.

O mesmo estudo adianta que o diagnóstico dos dermatologistas melhorava quando recebiam mais informações sobre os pacientes e as lesões de pele que tinham.

Segundo artigo publicado no The Guardian, a equipa de investigação disse ainda que o computador pode ser uma ferramenta útil para um diagnóstico mais rápido e fácil de cancro da pele, permitindo a remoção cirúrgica antes que se espalhe.

Há cerca de 232.000 novos casos de melanomas e 55.500 mortes no mundo a cada ano.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.