Célebre cirurgião francês foi uma das vítimas do acidente em Tires

Um cirurgião ortopédico francês, ligado ao mundo do desporto, é uma das cinco vítimas mortais provocadas pela queda de uma aeronave em Tires, Cascais

O presidente da câmara da cidade de Marselha, Jean-Claude Gaudin, afirmou ter sido com "grande tristeza que soube da morte de Jean-Pierre Franceschi", num "terrível acidente de avião", juntamente com a mulher, Nathalie, e "três outras vítimas". "Cirurgião ortopédico internacionalmente reconhecido, era também uma referência incontornável no mundo do desporto e contribuiu para a excelência médica marselhesa", salientou, na nota divulgada na segunda-feira à noite.

O presidente de Marselha destacou a grande ligação à cidade de Jean-Pierre Franceschi, de 64 anos, onde "trabalhou em vários hospitais" e era procurado pelas "maiores estrelas do desporto", nomeadamente futebolistas, de vários pontos do mundo.

Jean-Claude Gaudin transmitiu, em nome dos cidadãos da cidade francesa, "sinceras condolências" à família do cirurgião, nomeadamente às filhas e netos, mas também a toda a comunidade médica que "perdeu um dos seus membros mais ilustres".

Um comunicado do aeródromo municipal de Cascais, em Tires, informou que, pelas 11:05 de segunda-feira, "o voo de um operador privado, Symbios Orthopedic, envolvendo uma aeronave PA-31, que descolava de Cascais com destino a Marselha, com três passageiros e um tripulante a bordo, sofreu um acidente fora do espaço aeroportuário".

O bimotor Piper, modelo Cheyenne II, da empresa especializada em implantes ortopédicos, despenhou-se após percorrer cerca de dois quilómetros, no parque de descargas de um supermercado LIDL, numa densa área habitacional.

De acordo com uma fonte do setor aeronáutico, o piloto tinha nacionalidade suíça e os passageiros, duas mulheres e um homem, tinham nacionalidade francesa. Na queda, a aeronave com matrícula suíça atingiu uma pessoa no exterior do armazém do supermercado, que se presume ser o motorista de um camião pesado de mercadorias que se encontrava no parque de descargas da unidade comercial.

A avioneta atingiu ainda uma habitação situada junto ao supermercado, composta por três frações, deixando nove pessoas desalojadas, mas que, segundo a Proteção Civil municipal de Cascais, optaram por ficar com familiares.

O comandante operacional distrital de Lisboa da Proteção Civil, André Fernandes, informou que os ocupantes eram todos adultos, mas não divulgou as identidades das vítimas, que morreram carbonizadas e foram removidas dos destroços pela PSP, já noite, para o Instituto Nacional de Medicina Legal.

Além das vítimas mortais, quatro pessoas ficaram feridas ligeiramente, por inalação de fumo, duas dos quais foram assistidas no local e as outras duas transportadas para o hospital de Cascais. No local foram ainda assistidos oito moradores, que sofreram "crises de ansiedade" provocadas pelo acidente, pela unidade psicológica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

O supermercado encontrava-se, na altura do acidente, com alguns clientes, mas as pessoas saíram do estabelecimento sem problemas de maior, disse André Fernandes. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, passou pelo local para se inteirar das operações de socorro, que mobilizaram um total de 128 operacionais e 47 viaturas.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) anunciou que vai publicar, no prazo de 30 dias, o relatório preliminar sobre a queda de uma aeronave em Tires.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.