Cientistas do Técnico em consórcio europeu vencedor na fusão nuclear

Consórcio é liderado pela Airbus e ganhou cem milhões de euros para desenvolver sistema de manipulação remota do futuro reator experimental ITER

É um dos maiores contratos de sempre na área da robótica para a fusão nuclear e o Instituto Superior Técnico (IST), através de dois dos seus laboratórios, o Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) e o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), também lá está, integrado o consórcio europeu que ganhou o contrato, no valor de global de cem milhões de euros.

Liderado pela Airbus, o consórcio vai desenvolver o sistema de manipulação remota, por meio de robôs, para o ITER (de International Thermonuclear Experimental Reactor), o projeto internacional que está desenvolver e a construir de raiz o primeiro reator experimental de fusão.

Quando estiver concluída, aquela será a maior máquina do mundo e com ela os seus promotores - a União Europeia, China, Rússia, Coreia do Sul, Japão, Estados Unidos e Índia - querem recriar na Terra a energia que existe no interior das estrelas: a fusão nuclear.

De acordo com o calendário previsto, o ITER, que está a ser construído em Cadarache, no sul de França, deverá ficar concluído nos primeiros anos da próxima década e começará a funcionar em dezembro de 2026.

Entretanto, ainda é necessário desenvolver, testar e validar uma parte das tecnologias que vão integrar esse futuro reator. E, entre elas, estão as que vão permitir fazer a manipulação remota do que acontece no seu interior - os tais robôs que em parte vão ser criados nos laboratórios do Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

Dos cem milhões de euros agora ganhos pelo consórcio europeu liderado pela Airbus, meio milhão será atribuído ao Técnico, como explicou ao DN Bruno Gonçalves. O investigador português dirige o Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, um dos dois laboratórios que integram o consórcio e que vão desenvolver parte do trabalho.

Captar verbas para a ciência

Para a equipa portuguesa do IPFN, que está desde a primeira hora no projeto ITER e que tem vários outros contratos neste âmbito, no valor global de 6,1 milhões de euros, esta é um oportunidade de integrar um grande programa científico e tecnológico na fronteira do conhecimento.

"Trabalhamos nas questões em que temos competência reconhecida internacionalmente e a nossa missão é fazer o melhor possível nos contratos que nos são atribuídos", resume Bruno Gonçalves. Mas, para além disso, esta participação permite captar, através de concursos internacionais, mais verbas para fazer ciência em Portugal.

"Só um terço do nosso orçamento anual provém de fundos nacionais, o resto são contratos que temos ganho em concursos internacionais para projetos, como é o caso do ITER", explica Bruno Gonçalves. O do consórcio liderado pela Airbus é só o mais recente.

Acender uma estrela na Terra

Depois de estar pronto e, quando começar a operar, o primeiro reator de fusão experimental, ou tokamak, como também lhe chamam, tem por missão demonstrar que é possível reproduzir a natureza das estrelas. Ou seja, produzir de forma sustentada e durante alguns minutos, a energia de fusão. Mas não só. O ITER terá também de poder dizer que esta é uma energia segura e que pode ser usada para acender as lâmpadas lá de casa. E, se no final tudo isso se verificar, a energia de fusão entrará então na fase seguinte: a da construção de reatores comerciais. Mas, até lá, há muito trabalho pela frente, e os dois laboratórios do IST também estão envolvidos nele.

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