Centro histórico do Porto regista despovoamento "sem travões"

União de Freguesias alerta que em dois anos o Centro Histórico da cidade perdeu dois mil eleitores

O centro histórico do Porto perdeu 2.000 eleitores nos últimos dois anos, anunciou hoje o presidente da União de Freguesias, referindo que o despovoamento está "sem travões" e que são necessárias medidas urgentes repovoar aquela área classificada Património Mundial.

"Nos últimos dois meses o Centro Histórico do Porto perdeu 250 eleitores e nos últimos dois anos perdeu 2.000 eleitores", revelou à Lusa António Fonseca, informando que a este ritmo de "despovoamento sem travões", o centro histórico vai perder mais do que dois mil eleitores nos próximos dois anos e pode chegar a 2017/2018 com menos de 36 mil eleitores.

O Centro Histórico do Porto perdeu nos últimos 38 anos cerca de 66 mil eleitores, ou seja, tem atualmente 38 mil eleitores e é necessário pensar em introduzir quotas de moradores para o centro histórico do Porto, zona classificada como Património Mundial desde 1996, defende o presidente da Junta.

"São necessários contributos e medidas urgentes para travar a tendência do despovoamento no Centro Histórico. Isto é urgente", diz António Fonseca, que organiza esta sexta-feira, dia 29, um debate sobre o "Parque habitacional no Centro Histórico do Porto", evento que vai decorrer a partir das 14:30 no antigo Mercado Ferreira Borges, atual Hardclub, junto à Ribeira do Porto.

O presidente da Junta afirma esta é a altura ideal para discutir os mecanismos de trazer mais pessoas para o centro histórico, pois 2016 é o ano em que o Plano Diretor Municipal (PDM) está em discussão pública.

O turismo é importante para a economia local e nacional. Só no IVA o Estado arrecada milhões, os quais deviam de ser aplicados na cidade, através de projetos em prol da qualidade de vida da população e no repovoamento da zona histórica do Porto, com políticas viradas para as famílias", defende António Fonseca para que a "identidade tripeira" não se perca.

Para o presidente da União de Freguesias, o IVA que o Estado arrecada do turismo do Porto deveria ser aplicado no repovoamento com "políticas de apoio quer ao inquilino, quer ao arrendatário" e para o apoio ao arrendamento para famílias e jovens casais que queiram morar no centro histórico e em equipamentos para crianças e idosos.

A União de Freguesias do Centro Histórico vai sentar à mesa Correia Fernandes, vereador do Urbanismo da Câmara Municipal do Porto, António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia, Rui Sá, ex-vereador da CDU na Câmara do Porto, Rui Quelhas, ex-administrador da Sociedade Reabilitação Urbana da Baixa Portuense e indicado pelo PSD), José Castro, pelo Bloco de Esquerda e Hélder Pacheco, historiador e professor.

A União de Freguesias do Centro Histórico do Porto abarca as freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória.

Há quatro meses, a Lusa escreveu que o centro histórico do Porto perdeu nos últimos 30 anos 65% dos eleitores e que para combater o despovoamento daquele Património Mundial o presidente da União de Freguesias defendia a introdução de quotas de moradores no PDM.

Há 30 anos as Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória tinham um total de 105 mil eleitores.

Em novembro transato, o Porto tinha na calha 30 pedidos de licenciamento para novos hotéis, segundo indicavam as duas listagens que tramitavam na Câmara e na Sociedade de Reabilitação Urbana e a que a Lusa teve acesso.

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