Câmara está a apoiar familiares das vítimas do triplo homicídio

Funerais das vítimas ainda não têm data marcada

A autarquia de Montemor-o-Velho, em colaboração com o centro de saúde local, está a apoiar os familiares das vítimas do triplo homicídio seguido de suicídio ocorrido na quinta-feira em Faíscas, Arazede, naquele município do Baixo Mondego.

"Estamos a acompanhar as irmãs [do alegado homicida] e outros familiares, porque são pessoas que estão deslocadas, estão no estrangeiro, são emigrantes, e precisam de apoio e de aconselhamento", disse aos jornalistas o presidente da Câmara, Emílio Torrão.

Três pessoas, com 70, 64 e 91 anos, pai, mãe e avó do alegado homicida (Paulo da Cruz, homem com cerca de 40 anos), foram assassinadas a tiro na quinta-feira naquela localidade do distrito de Coimbra e o agressor ter-se-á suicidado de seguida.

Emílio Torrão adiantou que a autarquia disponibilizou uma psicóloga e que o centro de saúde de Montemor-o-Velho colabora no acompanhamento aos familiares com outro psicólogo e uma enfermeira.

O autarca disse ainda desconhecer quando se realizarão os funerais das vítimas, afirmando, no entanto, que a Polícia Judiciária - que esteve no local a recolher indícios até ao início da manhã de hoje - está a "acelerar o processo" de libertação dos corpos das vítimas para que as cerimónias fúnebres possam ser realizadas em breve.

Emílio Torrão recusou comentar e "alimentar especulações" sobre o conteúdo da mensagem deixada na rede social Facebook pelo alegado homicida - supostamente depois de ter cometido os crimes - argumentando que a família "precisa de algum recato e de serenidade".

"Isto foi muito violento para elas", sustentou.

O autarca, outros elementos do executivo e técnicos camarários deslocaram-se ao final da manhã de hoje à moradia onde ocorreram os crimes, acompanhando duas irmãs, tios e outros familiares do alegado homicida.

Segundo uma testemunha, que estava na casa onde ocorreram os assassinatos na altura dos crimes, na origem terá estado uma recordação de um episódio da infância de Paulo da Cruz.

"A balbúrdia começou quando a mãe do Paulo contou que ele quando era criança degolou cinco pintainhos com uma lâmina", disse José Gonçalves que juntamente com a mulher e a filha de oito anos estavam a lanchar com o alegado homicida e com a mãe, pai e avó deste (que foram assassinados no exterior da casa, num pátio traseiro).

"Começou então uma enorme discussão e o Paulo, depois de várias discussões com o pai e de lhe ter dado uma cabeçada, terá ido ao quarto buscar a caçadeira (com que matou a família)", disse ainda a testemunha.

José Gonçalves contou que viu Paulo disparar em direção ao pai e que aí fugiu com a mulher para a sua casa, com o objetivo de se proteger assim como à sua família.

A GNR entrou na habitação às 05:10 de hoje e deparou-se com a existência de quatro cadáveres, um no interior e três no pátio exterior.

Emigrado no Luxemburgo, o alegado homicida terá regressado a Arazede há alguns meses. Os pais tinham também sido emigrantes e regressaram a Portugal há três anos.

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