Calcitrin processa Ordem dos Farmacêuticos

Resposta da empresa de suplementos alimentares após providência cautelar contestando eficácia dos produtos

A empresa que comercializa o suplemento alimentar Calcitrin anunciou hoje ter apresentado uma queixa-crime contra o antigo bastonário e contra a Ordem dos Farmacêuticos (OF), por "ofensa a pessoa coletiva".

A queixa, contra o ex-bastonário Carlos Barbosa, e contra a Ordem fundamenta-se, diz a empresa em comunicado, numa "inédita campanha mediática" com "declarações ofensivas" que causaram prejuízos.

A empresa, Viva Melhor, apresentou também uma denúncia por concorrência desleal na Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), igualmente contra a Ordem dos Farmacêuticos e o anterior bastonário (a Ordem tem desde quarta-feira Ana Paula Martins como bastonária), considerando que foram feitas afirmações para desacreditar um concorrente.

E diz que a "operação mediática" contra o suplemento resultou numa perda de reputação e desconsideração "que terá de ser reparada com enormes custos de recursos e de tempo".

Há dois meses, a 18 de dezembro, a OF entregou uma providência cautelar para travar os anúncios publicitários do suplemento Calcitrin MD Rapid, alegando que lesavam o direito dos cidadãos à saúde e que as afirmações na publicidade não tinham "qualquer base científica".

Na mesma altura, a autoridade que regula o setor do medicamento, Infarmed, recomendou que não fossem utilizados produtos contendo cálcio para a prevenção ou tratamento de doenças, acrescentando que estavam a decorrer ações de fiscalização dos produtos no mercado. A empresa Viva Melhor disponibilizou-se para corrigir o que se provasse ser inadequado.

A 20 de dezembro as Ordens dos Médicos e dos Farmacêuticos apelaram ao Ministério da Saúde para que interviesse para regular a publicidade de suplementos alimentares e produtos considerados dietéticos, afirmando que uma quantidade elevada de cálcio ou vitamina D poderá ser prejudicial à saúde em muitos indivíduos.

Já este ano a OF apelou à "intervenção direta" do ministro da Saúde para travar a publicidade do Calcitrin, com a empresa a lançar suspeitas de que a "guerra" da Ordem teria a intenção de prejudicar a marca para beneficiar outras, o que levou a OF a anunciar uma queixa-crime por difamação.

No comunicado hoje divulgado a empresa acusa o antigo bastonário de não dizer a verdade sobre o suplemento, que "tem um efeito benéfico avaliado pela Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos" e que se apresenta "em conformidade com a lei", é "absolutamente seguro e não tem registo de qualquer reclamação".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.