Brasil vai operar telescópio russo para monitorizar detritos espaciais

Os responsáveis do projeto estão a terminar a montagem do telescópio no Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis, Minas Gerais

Um observatório ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil vai começar a operar, nas próximas semanas, um moderno telescópio cedido pela Rússia, num projeto bilateral que se propõe monitorizar detritos espaciais.

A iniciativa vai permitir que o Brasil localize detritos espaciais e faça uma base de dados sobre a localização e órbita dos diferentes objetos, assim como sobre os riscos de colisão dos mesmos com satélites artificiais e com a Terra.

Os responsáveis do projeto estão a terminar a montagem do telescópio no Observatório do Pico dos Dias, entidade com sede em Brazópolis, município do estado de Minas Gerais (sudeste do Brasil), e que depende do Laboratório Nacional de Astrofísica, informou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação no seu portal da internet.

"A previsão é que podemos realizar uma primeira observação em finais de fevereiro. Toda a mecânica e ótica do telescópio está listada e agora vamos iniciar os trabalhos de montagem da parte eletrónica de controlo e de dados", afirmou o diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica, Bruno Castilho, citado na publicação do ministério.

O Observatório do Pico dos Dias, a 1.864 metros de altitude e que conta com outros quatro telescópios para a investigação em astronomia, foi elogiado pela Agência Espacial Russa (Roscosmos) entre outros do hemisfério sul devido a que, pela sua posição geográfica, captará imagens complementares às observadas desde a Rússia.

O projeto é uma associação entre o Laboratório de Astrofísica e a Roscosmos, que contribuiu com 2,9 milhões de euros, entre os quais se inclui o custo do telescópio, que começou a ser montado no Brasil em novembro passado.

A instalação do telescópio incluirá o Brasil entre os membros do projeto Panoramic Electro-Opical System for Space Debris Detection (PanEOS), que se propõe a criar de uma rede de observatórios na Rússia e países vizinhos para a vigilância dos detritos espaciais.

As imagens do telescópio vão ser transmitidas pela internet nas bases da Roscosmos, na Rússia, e estarão à disposição de investigadores brasileiros.

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.