Bispos querem aborto fora das aulas do 5.º ano

Conferência Episcopal esteve reunida em Fátima. Visita do Papa foi falada, mas sem detalhes. O assunto principal foi mesmo o tratamento da IVG nos programas escolares.

Os bispos portugueses não querem que o tema da interrupção voluntária da gravidez seja tratado nas aulas dos 5.º e 6.º anos. A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) reuniu-se ontem, em Fátima, e voltou a sublinhar a oposição da Igreja a este tema, por considerar que "a educação sexual deve ser integrante na educação para a personalidade". No encontro dos bispos foi ainda abordada a viagem do Papa Francisco a Portugal, mas "foi uma abordagem ligeira, ainda não há programa, logo não se falou de detalhes", explicou ao DN o porta-voz da CEP, Manuel Barbosa.

A principal conclusão da reunião dos bispos foi mesmo a de manifestação de oposição à inclusão da interrupção voluntária da gravidez nos programas dos 5.º e 6.º anos. Medida que faz parte do Referencial de Educação para a Saúde, da Direção-Geral de Educação (DGE), e que esteve em consulta pública em dezembro. "A Conferência segue com preocupação esta iniciativa do Estado e reafirma o direito dos pais à educação dos filhos", referiu o padre Manuel Barbosa.

O porta-voz do órgão que reúne os bispos portugueses sublinhou ainda que estes estão solidários com uma petição online que quer impedir que o aborto seja incluído no programa do 5.º ano e que conta já com mais de nove mil assinaturas. Além do aborto, estão em discussão pública outros temas de educação sexual que devem ser falados aos alunos de 11 e 12 anos.

Os cidadãos que promovem esta petição vão contar com o apoio da comissão episcopal da educação cristã, cujo secretariado está a preparar uma posição pública para entregar à DGE e divulgar à sociedade civil, indicou Manuel Barbosa. "Uma educação sexual deve ser integrante na educação global, na educação para a personalidade no sentido integral e não apenas assumir isso como questões éticas de saúde", defendeu Manuel Barbosa. Criticando ainda que "a própria educação sexual, como é assumida [no documento], é quase como, não digo um aparte, mas uma questão técnica de saúde, quando tem de ser assumida como educação integral no crescimento da personalidade da pessoa".

Certo é que os bispos não concordam com esta medida, "porque não tem em conta este direito dos pais à educação dos filhos". E elogiam a atitude dos que a contestam através da petição. No texto disponibilizado no site Citizen Go, os peticionários questionam "a necessidade educativa subjacente à apresentação do conceito de aborto e das técnicas abortivas a crianças de tenra idade?" e defende que o Estado "não pode tomar o lugar dos educadores".

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