Aprender a melhorar negócio também é celebrar Dia da Mulher

Connect to SuccessPrograma é um programa de apoio a empreendedoras criado pela antiga embaixatriz americana em Lisboa organizou dois dias de workshops em que se falou de liderança e finanças

As mulheres portuguesas têm medo de arriscar. Esta era a perspetiva de Kim Sawyer quando lançou o Connect to Success - programa de apoio a empreendedoras - em 2014. Agora, conta, as coisas começam a mudar. "Ontem [na sexta-feira] quando cheguei ao hotel estava uma mulher à minha espera para me mostrar o livro que escreveu por causa do programa." A antiga embaixatriz dos Estados Unidos em Portugal esteve em Lisboa para assistir à condecoração do marido - Robert Sherman foi condecorado por Marcelo Rebelo de Sousa - e participar nos workshops do Connect to Success.

Em dois dias - ontem e sexta-feira - dezenas de empresárias participaram no evento organizado para assinalar o Dia Internacional da Mulher. Na sexta-feira juntaram-se para ouvir conselhos de Tim Vieira, empresário e investidor do programa de televisão Shark Tank, sobre como lançar um negócio. Ontem, as sessões incluíam temas como introdução às finanças, as melhores práticas de negociação, liderar e motivar equipas ou fundos europeus.

Para assistir a estas palestras, estavam não só mulheres que lançaram os seus próprios negócios como algumas funcionárias de empresas lideradas por mulheres. "Uma empresária trouxe a sua estagiária para que ela pudesse aproveitar também os conhecimentos dos workshops", sublinha Kim Sawyer.

Ela própria uma mulher de negócios, com uma empresa de advocacia em Boston, revela à audiência que não tem dormido muito nas últimas semanas por estar a negociar a venda da sua empresa. "Um negócio que comecei há 23 anos, sozinha, e que foi o meu bebé. Vendê-lo traz sentimentos, mas chegar aqui e ver alguns dos exemplos de pessoas que desistiram dos seus empregos para seguir o sonho da sua vida ajuda-me a restaurar todas as energias."

Desde que o marido deixou a embaixada, a 28 de janeiro, Kim tem mantido a rotina de regressar ao nosso país para participar em eventos do Connect to Success. Uma rotina que espera manter. "Antes, quando o Bob era embaixador, já não vivia cá. Andava entre Lisboa e Boston, vinha cá cinco a dez dias por mês. A diferença é que agora já não tenho casa cá", aponta.

A prova disso é que regressou a Portugal - mais concretamente aos Açores - cinco dias depois de ter deixado a embaixada. "A 2 de fevereiro, vim aos Açores por três dias para uma série de workshops e para lançar o nosso Corporate Mentoring Program e agora estou de volta outra vez. Tenho vindo uma vez por mês desde que fomos embora."

A advogada garante que vai manter-se envolvida com o programa que também é gerido pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), até porque agora tem "um cargo". "Quando o meu marido era embaixador não podia ter um cargo e agora tenho, sou oficialmente diretora executiva do Connect to Success. E gosto de ter um cargo."

Outro dos apoios vem da Embaixada dos EUA, com o empenho particular da Encarregada de Negócios, Herro Mustafa. "Vou continuar a participar nos eventos, a embaixada copatrocina as atividades, ajuda a financiar, fazemos algumas receções onde juntamos as mulheres para que façam networking, viajamos também com o programa (estive nos Açores no mês passado). E estas são as coisas que vamos continuar a fazer", indica ou DN Herro Mustafa.

Desde que foi criado, em 2014, o Connect to Success já chegou "a perto de mil mulheres". Além dos workshops como os destes dois dias, onde as mulheres "têm acesso a visões de fora sobre o seu negócio e ajudam-se umas às outras a resolver problemas", Kim Sawyer lembra que as empreendedoras têm ainda acesso ao Corporate Mentoring Program e ao MBA Masters Consulting Program.

Ferramentas que a diretora executiva acredita estarem a dar frutos e a ajudar as empresárias nacionais a ganhar autoconfiança. Afinal, uma das principais lacunas, aponta. "O principal obstáculo para o sucesso, não apenas para as mulheres, não apenas para Portugal e não apenas para empreendedores, é mesmo o sentido de autoconfiança, conseguir seguir a sua paixão e ter confiança no seguimento da sua paixão."

A este obstáculo, Herro Mustafa junta outro: "A oportunidade." "Estes workshops são de graça e nos Estados Unidos as mulheres pagam centenas, se não milhares de dólares, para participar. Aqui estamos a fazê-los para proporcionar a oportunidade. Estamos a dizer às mulheres: "Venham a estes workshops, eles são de graça, e estamos a dizer vamos pô-la em contacto com outras mulheres mentoras de negócios", e então é criada a oportunidade."

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