Angolano pensou que vinha passar férias mas foi escravizado em moradia

Chegou há meses a Portugal a convite de uma conhecida da sua família, uma mulher residente na Charneca da Caparica. Essa mulher retirou-lhe os documentos e colocou-o em servidão doméstica

Na quinta-feira de manhã inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) foram resgatar da escravidão um homem de 30 anos, angolano, que estava fechado numa moradia na Charneca da Caparica, na Margem Sul de Lisboa. A vítima, analfabeta e sem recursos, só conseguiu escapar porque um dia conseguiu alertar uma patrulha da PSP, que, por sua vez, avisou o SEF.

Segundo apurou o DN com fonte do SEF, o homem foi convencido a vir para Portugal passar umas férias por esta sua compatriota, residente em Portugal. Quando chegou à casa dela, na Charneca da Caparica, rapidamente afastou a ideia de uns dias de lazer. Foi obrigado a fazer todo o trabalho doméstico, a tratar dos três filhos dessa mulher (na casa dos 40 e tal anos), e até a limpar um terreno agrícola perto da casa, sem qualquer liberdade de movimentos. A mulher reteve-lhe os documentos de identificação que trazia e o passaporte.

Passaram-se longos dias nesta situação até que um dia o angolano avistou dois agentes da PSP quando tratava do terreno agrícola contíguo à casa. Avisou os polícias da sua condição de servidão naquela casa. A PSP alertou depois o SEF.

O estratagema que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras utilizou foi o de o notificar para ir aos serviços, a pretexto de haver um problema com o seu visto. A proprietária da casa onde ele vivia acompanhou-o. Como o visto não tinha, na realidade, qualquer problema, os inspetores conseguiram puxar o homem aparte e perceber que ele era vítima de escravidão.

O SEF contactou então o Ministério Público (MP), que já estava a par da situação através da PSP. Os inspetores foram resgatar o homem da casa na quinta-feira e constituir como arguida, por tráfico de pessoas, a dona da moradia. A mulher arrisca três a dez anos de prisão.

A vítima foi colocada numa casa segura pelo SEF. O homem informou os inspetores de que deseja voltar a Angola. O SEF vai agora articular com o MP a sua audição para memória futura.

A Organização Internacional para as Migrações vai apoiar financeiramente a partida do homem para o seu país. O SEF está em contacto e em cooperação com as autoridades angolanas neste caso.

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