Taxa de obesidade em Portugal é alta, mas houve uma redução

Estudo do Observatório Europeu para a Obesidade das Crianças revela que é no sul da Europa onde se registam as taxas de obesidade mais elevadas

Carlos Nogueira
©  Álvaro Isidoro / Global Imagens

Um estudo da OMS, do Observatório Europeu para a Obesidade das Crianças (COSI) relativo ao período entre 2015 e 2017 revelou que os países do sul da Europa são os que têm a taxa mais elevada de obesidade infantil, sendo que em Itália, Chipre, Espanha, Grécia, Malta e São Marino aproximadamente um em cada cinco rapazes tem excesso de peso.

As mais baixas taxas de obesidade verificam-se em França, Noruega, Irlanda, Letónia e Dinamarca, pois têm uma taxa de 5% a 9% nos dois sexos. Portugal surge como um país em clara melhoria, segundo o estudo, de acordo com a opinião do português João Breda, chefe do Gabinete Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças Não Transmissíveis, "em países como Itália, Portugal, Espanha e Grécia, apesar das taxas de obesidade serem altas, houve uma redução significativa, o que se deve aos esforços significativos que esses países têm feito nos últimos anos na prevenção da obesidade infantil".

Esta análise foi feita em 38 países, sendo que em 34 deles foi detetado níveis altos de peso excessivo e de obesidade em rapazes e raparigas. No entanto, é preciso referir que fora deste estudo ficaram o Reino Unido e a Alemanha, que representam uma população significativa do continente europeu.

Refira-se que o COSI que há dez anos avalia as tendências do excesso de peso e obesidade em crianças do primeiro ciclo, na qual é avaliado o peso e a altura de 250 mil crianças.

Vários países enviaram dados nutricionais, tais como os hábitos alimentares das crianças, sendo que muitos deles revelaram que três quartos ou mais de rapazes e raparigas comem fruta todos os dias ou pelo menos entre quatro e seis dias da semana. E nesse lote está Portugal, mas também Irlanda, Dinamarca, Albânia, Montenegro, Itália, São Marino, Rússia e Turquemenistão. As crianças destes países têm ainda baixos níveis de consumo de pizza, batatas fritas, hamburgueres e molhos, uma vez que ingerem estes alimentos entre um a três dias semanais ou nunca.

"É fundamental aumentar o consumo de fruta e vegetais das crianças, reduzindo a ingestão de doces e refrigerantes. é também muito importante aumentar os níveis de alerta dos pais e famílias para o problema da obesidade infantil, pois os nossos dados mostram que muitas mães não reconhecem o excesso de peso ou a obesidade dos seus filhos", adiantou João Breda.