"Queremos expandir a PT ACS a novos utilizadores" 

Sistemas como o da PT ACS - Associação de Cuidados de Saúde, que hoje cumpre 23 anos, têm ajudado a diversificar a rede de prestação de cuidados. Segundo João Zúquete da Silva, CCO da Altice Portugal, novos passos continuarão a ser dados no sentido de melhorar a oferta ao público

Joana Petiz

Com quase metade dos portugueses a juntar um subsistema de saúde público, privado ou um seguro de saúde, individual ou de grupo (como o é a PT ACS) ao SNS, a iniciativa privada em Portugal tem tido um papel relevante na cobertura e na qualidade dos serviços de saúde, em complementaridade ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). Sistemas como o da PT ACS - Associação de Cuidados de Saúde, que hoje cumpre 23 anos, têm ajudado a diversificar a rede de prestação de cuidados e a dar garantias de uma cobertura transversal de especialidades, com resultados de elevada qualidade na realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica, mais conforto na hospitalização e uma resposta rápida e adequada aos doentes cirúrgicos. Segundo João Zúquete da Silva, CCO da Altice Portugal, que hoje inaugura um novo núcleo oftalmológico - a juntar a uma rede própria que já conta com oito centros clínicos e três núcleos especializados (oftalmologia de Lisboa e estomatologia de Lisboa e do Porto) -, novos passos continuarão a ser dados no sentido de melhorar a oferta ao público. Que já inclui, além das consultas, meios auxiliares de diagnóstico, enfermagem, pequenas cirurgias e análises, programas de acompanhamento de doentes crónicos (diabetes, asma, doença pulmonar e cardíaca), prestação do serviço de saúde no trabalho à Altice e a empresas externas (incluindo Grupo Pestana, INEM, Global Media Group, ANACOM, Mercer e SportTV) e um projeto-piloto de telemonitorização (parceria Altice Labs/Meo).

A PT ACS faz 23 anos - mais do dobro do tempo que tem a legislação para a promoção da saúde no trabalho. Que importância tem tido, nomeadamente enquanto complemento do SNS?

Em 1995 não havia ainda grande sensibilização para estas questões da prevenção, medicina no trabalho... dava-se alguns passos no sentido de um certo desenvolvimento mas os cuidados não eram completos. As grandes empresas, as públicas e as parapúblicas, entenderam que esse era um fator de retenção de colaboradores e investiu em práticas como a da PT ACS - esta com a singularidade de internalizar esse benefício, vitalício para uma parte da população, e com o duplo objetivo de passar a prestar cuidados de saúde universalmente. Através da ACS, a Altice PT garante, assim, cuidados de saúde diretamente às pessoas: tem especialistas, uma rede de meios técnicos, máquinas, etc.

O que justificou essa preocupação de um serviço direto?

O objetivo era conhecer mais de perto a vida clínica das pessoas, mantendo em simultâneo alguma disciplina nos custos. Se eu conhecer o historial clínico de um trabalhador/paciente, tenho pistas mais fortes sobre o que ele pode precisar, tratamentos ou exames que faça sentido fazer, dirijo-o melhor para as necessidades que tem e resolvo mais eficazmente os problemas. Isso permite fazer um acompanhamento de maior proximidade. Este sistema resulta numa maior retenção e tem ainda mais valor por dar acesso a um conjunto de médicos de prevenção, em complementaridade com o SNS. Podemos não ter todos os especialistas ou ter blocos operatórios, mas conseguimos garantir um conjunto de benefícios que são importantes.

E este esquema também ajuda no fator prevenção?

Os tratamentos têm uma componente de prevenção e acompanhamento - que passa também por alguma evangelização no sentido de as pessoas se cuidarem para juntarem qualidade à maior esperança média de vida que existe. Há, por exemplo, uma maior preocupação com certas condicionantes, estamos mais alerta para as doenças crónicas, mas também para o facto de uma deteção precoce ser fundamental no tratamento mais eficaz de doenças graves (cancerígenas, respiratórias, do sangue). Além disso, a ACS, por exemplo, acompanha de perto cerca de 500 pessoas com um apoio que vai das coisas mais complexas às mais simples, como lembrar de um exame ou da toma de um comprimido. Essa proximidade é uma mais-valia que temos relativamente ao SNS.

Há planos para reforçar o serviço que a PT ACS presta?

Sim. Hoje mesmo vamos inaugurar o novo núcleo de oftalmologia. Encontrámos o espaço, procurámos os médicos e garantimos as máquinas para termos esse serviço. E estamos permanentemente atentos ao que podemos fazer para nos desenvolvermos a esse nível. Quanto a abrirmos a um público mais alargado, é um debate que temos feito e a verdade é que estamos apetrechados e disponíveis para abrir portas. Mesmo hoje, se uma pessoa comum se dirigir aos nossos centros clínicos, não recusamos o serviço, temos uma tabela de preços ao público. Mas é pouco comum acontecer. Ainda assim, posso dizer que existe essa vontade de alargar os nossos serviços além das principais capitais de distrito. Queremos expandir-nos a novos utilizadores.