PSP vai vigiar praxes e faculdades para evitar assaltos

É um novo programa da PSP para prevenir crimes e evitar praxes violentas em meio universitário. No Polo da Ajuda, em Lisboa, há institutos assaltados de dia

Rute Coelho

O Instituto Superior de Agronomia, na Tapada da Ajuda, em Lisboa, estende-se por 100 hectares de terreno, "tem por vizinhança alguns bairros como o Casalinho da Ajuda ou o 2 de Maio, e conta com poucos seguranças privados para controlar os acessos", denunciou o presidente da Associação de Estudantes do ISA (AEISA), ao DN. "Há dois dias, desconhecidos entraram no intervalo de uma aula e levaram computadores e tablets", contou João Pedro Gomes, acrescentando que "acontecem esporadicamente furtos a laboratórios, material eletrónico e computadores".

Esta é uma das faculdades do Polo da Ajuda que vai beneficiar do projeto piloto do programa Universidade Segura da PSP, que se inicia naquela zona sensível de Lisboa, onde os furtos e roubos são regulares. Através do patrulhamento específico em instituições do ensino superior, que arranca sexta-feira em Lisboa, a PSP vai também vigiar de perto a realização das praxes, tendo já pedido a associações de estudantes para estar presente em algumas. Também vai patrulhar os recintos universitários para, por exemplo, prevenir furtos, roubos, agressões, injúrias. O programa arrancará no Porto, Coimbra e Algarve daqui a uns meses, como adiantou ao DN o subintendente Hugo Guinote, coordenador do programa nacional "Escola Segura" (para os restantes tipos de ensino) e que também vai dirigir, a nível nacional, o "Universidade Segura".

No Instituto Superior de Agronomia, a falta de segurança é evidente. "Estamos inseridos no meio de vários bairros sociais e não temos cobertura total de videovigilância. O ano passado vandalizaram os campos da nossa equipa de râguebi e era frequente, há uns anos, ter 50 carros com vidros partidos à saída de uma festa do Instituto", adiantou João Pedro Gomes. Festas "também frequentadas por malta do Casalinho da Ajuda e do Casal Ventoso". O dirigente adiantou que esta semana a PSP esteve no ISA, por causa do Universidade Segura, a "dar uma palestra sobre a criminalidade no ensino superior". Já focada na prevenção de atos violentos na comunidade universitária, a PSP informou as faculdades nos contactos iniciais, realizados em abril e maio, de que gostaria de estar presente em algumas praxes e também festas universitárias, referiu Pedro Silva, presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa. "Pretendiam estar presentes na nossa praxe, o que não considero necessário porque são talvez das mais calmas". A polícia pretende que as praxes sejam "seguras" e que os caloiros saibam que têm direitos, como explicou a PSP numa sessão de esclarecimento sobre o programa, na Faculdade de Arquitetura de Lisboa, no dia 15. A polícia também quer reduzir o número de crimes que acontecem de forma regular no meio universitário, como os de violação e devassa da vida privada ou injúrias.

O presidente da Associação Académica de Lisboa (AAL), João Pedro Louro, vê com "bons olhos esta parceria com a PSP". "Na zona onde está o Polo da Ajuda sempre houve grandes problemas de criminalidade. Temos ali muitos estudantes em regime pós laboral. Depois, os bairros vizinhos 2 de Maio e Casalinho da Ajuda estão ligados a alguns crimes". Quanto às praxes, a AAL não "vê problemas em haver supervisão dessas atividades", embora considere que as que existem são "de integração e não de submissão".

Também a presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), congratula-se com o maior policiamento garantido pela Universidade Segura.

"Não temos histórico de praxes violentas no ISCSP mas damos a informação à PSP sobre a realização das mesmas porque temos de zelar pelo bem estar dos alunos. Como no nosso pós laboral há episódios de furtos e temos bairros sociais à volta, descansa-me termos um protocolo com a PSP", disse Sofia Domingues.

Até agora, a segurança em alguns campos universitários tem sido assegurada com o pagamento de gratificados à polícia. Na Cidade Universitária, em Lisboa, cujas faculdades ainda não estão abrangidas pelo projeto piloto, "a segurança que é ali feita pela PSP não é suficiente à noite, nomeadamente a partir as 19.00, no horário pós laboral, pelo que a reitoria tem conseguido manter o pagamento de gratificados à polícia para garantir equipas de dois turnos entre as 16.00 e as 24.00", adiantou ao DN um antigo responsável da Reitoria da UL. Perante este projeto da PSP a Reitoria tem agora a expectativa de que o "programa aproxime as universidades e as forças de segurança", disse ao DN fonte oficial da Reitoria.