PSD: Suspensão das obras na Segunda Circular é uma "boa notícia"

Sociais-democratas alfacinhas exigem que o inquérito aberto pela autarquia seja acompanhado pela Assembleia Municipal

Susete Francisco
© Gonçalo Villaverde / Arquivo Global Imagens

Uma "boa notícia" que "não se deve ao bom senso, mas à incompetência" do executivo camarário. É a reação do PSD à suspensão das obras na Segunda Circular, avançada pelo DN e anunciada em conferência de imprensa, ao início da noite de sexta-feira, pelo presidente da Câmara Municipal da capital, Fernando Medina. Para o presidente da distrital de Lisboa dos sociais-democratas esta é "boa decisão para os lisboetas".

Mas falta dar o passo seguinte, diz Mauro Xavier, que quer ver o dinheiro poupado com a suspensão das obras aplicado "na devolução da taxa de proteção civil aos lisboetas". Enquanto a câmara faz obras, para quem mora na capital "a conta da água sobe, a conta da taxa de proteção civil sobe", critica o responsável social-democrata, que acredita que a questão não vai ficar por aqui: "Vai haver problemas noutras obras".

Mauro Xavier defende que a suspensão é, na verdade, um cancelamento do projeto de requalificação da Segunda Circular: "Não é tecnicamente possível lançar um novo concurso público" que se traduza em obra feita antes das eleições autárquicas do próximo ano. O PSD "congratula-se" com isso, até porque, sublinha o responsável distrital do PSD, a questão nunca foi sujeita ao voto dos lisboetas. "António Costa nunca disse que queria requalificar a Segunda Circular com aquele projeto", que ia agora ser implementado por "um presidente que não foi sufragado pelo voto", aponta. O PSD quer agora que o inquérito aberto pela autarquia seja acompanhado pela Assembleia Municipal, para apurar se o problema se ficou a dever a "culpa dos serviços" ou a "pressões políticas" para que o processo avançasse rapidamente, não acautelando ou cuidados devidos.

A suspensão da requalificação da Segunda Circular - que implica a suspensão das obras em curso, no troço entre o nó do Ralis e a Avenida de Berlim, e a anulação do concurso público internacional para a segunda fase, entre o nó da Buraca e o aeroporto - ocorre depois de o júri do concurso ter "detetado indícios de conflito de interesses, pelo facto de o autor do projeto de pavimentos ser também fabricante e comercializador de um dos componentes utilizados" no novo pavimento da Segunda Circular, sublinhou ontem Fernando Medina.