Mulher morre depois de tratamento com picada de abelhas

A apiterapia ganhou adeptos depois de ter sido recomendada pela atriz Gwyneth Paltrow como sendo um tratamento eficaz nas dores do corpo e inflamações

Sónia Silva
Não há estudos que comprovem os benefícios da apiterapia© Paulo Jorge Magalhães / Global Imagens

Uma mulher de 55 anos morreu depois de se ter submetido a um tratamento similar à acupuntura mas que, em vez de agulhas, utiliza picadas de abelhas vivas.

A espanhola, cuja identidade não foi revelada, não resistiu a uma complicação severa após o tratamento que vinha a desenvolver havia dois anos.

Depois de uma picada, a paciente teve uma reação alérgica e começou a sentir dificuldade em respirar, acabando por desmaiar. Morreu semanas depois de complicações associadas a um derrame cerebral provocado pela falta de oxigenação no cérebro.

"Este é o primeiro caso conhecido de morte por apiterapia devido a complicações de uma anafilaxia grave num paciente sensível que era, até aí, tolerante", escrevem os alergologistas espanhóis que tentaram salvar a paciente no Hospital Universitário Ramón e Cajal, em Madrid, os quais posteriormente assinaram o artigo científico sobre a terapia, que foi publicado no Journal of Investigational Allergology and Clinical Immunology.

"Uma tolerância prévia às picadas de abelha não impede obrigatoriamente que possam posteriormente surgir reações de hipersensibilidade", avançam.

O tratamento com veneno das abelhas é antigo, mas tornou-se popular quando a atriz norte-americana Gwyneth Paltrow assumiu usá-lo como recurso contra inflamações, dores no corpo, nas articulações e contra o stress.

Porém, segundo o artigo escrito pelos alergologistas espanhóis citado acima, não existem estudos científicos que garantam a fiabilidade da terapia.