Há uma espécie invasora no saneamento de Madrid: a barata australiana

Responsáveis da cidade e empresa de controlo de pragas estudam forma de conter dispersão do inseto pela cidade

Carlos Ferro

A rede de saneamento de Madrid está a ser invadida por baratas australianas, um inseto que não é originário da Península Ibérica, mas do qual foram detetadas colónias em vários pontos da cidade. De acordo com especialistas de uma empresa de controlo de pragas consultados pelo diário El País, a chegada deste animal à capital espanhola pode ter acontecido com o transporte de mercadorias ou embalagens, sendo o habitat natural da Periplaneta australasiae (também conhecida por barata loira) os buracos das árvores. Segundo o jornal espanhol, trata-se de uma espécie voadora, daí a facilidade de passar das árvores para as habitações. Os técnicos adiantaram que esta barata alimenta-se das partes tenras das plantas.

Um dos alertas lançados pela empresa Anticimex (especialista no controlo de pragas) foi que este inseto originário da Ásia tem facilidade em se adaptar ao meio ambiente que o rodeia, por isso a vigilância da expansão das colónias está também a ser acompanhada pelas autoridades sanitárias de Madrid.

O jornal espanhol recorda que a presença da barata australiana - que mede em média 3,5 cm, com um ciclo de vida de cerca de seis meses e tem uma cor loira, idêntica à da barata americana, distinguindo-se desta por ter uma coloração mais clara nas extremidades das asas - tinha sido detetada em 2016 em Guipúzcoa (País Basco) e anteriormente nas ilhas Canárias.

Ao El País , o diretor técnico da Anticimex, Jordi Tapias, explicou que esta "não é uma espécie particularmente invasora, mas uma vez detetada nos esgotos da cidade pode surgir em jardins e edifícios". Atualmente, a empresa e os responsáveis da cidade estão a analisar a melhor forma de evitar a propagação desta barata.

Apesar de terem como função a eliminação de insetos que se alimentam de matéria orgânica em decomposição, são também uma fonte de alimento para outras espécies. Porém, em ambientes urbanos, a sua proliferação é preocupante para as autoridades de saúde, pois têm um grande potencial para transmitir doenças provocadas por bactérias ou vírus.