Funeral de Samira ainda sem data marcada

Instituto de Medicina Legal efetua esta terça-feira a autópsia ao corpo da criança encontrado no domingo na praia de onde tinha desaparecido

Céu Neves
Corpo da criança foi encontrado no domingo© INÁCIO ROSA/LUSA

O corpo de Samira deverá ser autopsiado esta terça-feira, depois de só hoje ter sido identificado. Como a hora a que poderá ser entregue à família não é conhecida - há outras autópsias para efetuar no Instituto de Medicina Legal - não há previsão de quando será o funeral da criança de quatro anos que desapareceu na praia da Giribita (Caxias, Oeiras) na passada segunda-feira, tal como a irmã Viviane, de 19 meses, cujo corpo foi encontrado nessa noite.

As duas foram levadas para o local pela mãe, Sónia Lima, que está detida preventivamente no Hospital Prisão de Caxias, indiciada por duplo homicídio qualificado e arrisca uma pena de 25 anos de prisão, pois o sistema penal português não permite que uma condenação vá além desse período.

O corpo de Samira foi encontrado este domingo de manhã, dia em que teve lugar o funeral da irmã. Um homem que passeava na praia encontrou o corpo ainda dentro de água. Apesar do afogamento ser a causa mais provável, a autópsia nestes casos é obrigatória e permite despistar se a criança podia ter sido morta antes ou depois de ter sido lançada ao mar. No exame feito ao corpo da irmã bebé, Viviane, a autópsia indicou apenas asfixia por afogamento como a causa da morte. Pronunciando-se sobre a mãe das duas crianças o Ministério Público considerou que esta agiu "com especial censurabilidade e perversidade". Apresenta um quadro depressivo que requer especiais medidas na prisão.

Sónia Lima agiu alegadamente por vingança em relação ao pai das crianças, de quem se tinha separado em novembro e com quem ia disputar a guarda das filhas. O pai viu as crianças pela última vez a 6 de fevereiro numa visita na presença de outras pessoas, como acontecia desde que o casal se separou, a 4 de novembro. A mãe acusava-o de abusos sexuais às menores. Ele queixou-se dela por o querer impedir de estar com as filhas. Ambos fizeram as denúncias às instituições adequadas, oito no total. O corpo da bebé de 19 meses foi encontrado uma hora depois de a polícia marítima chegar ao local do afogamento. O alerta foi dado por um taxista que parou junto à praia e viu Sónia Lima a gritar por socorro e pelas filhas, pedindo-lhe que as salvasse.