Elevador de Santa Justa vai ter museu. Hoje ganha nova entrada

Obras no piso térreo da Rua do Ouro são inauguradas hoje. Segue-se a mudança do piso no miradouro e dos motores dos elevadores. Visitas continuam durante os trabalhos

Ana Bela Ferreira
Piso do miradouro é removido nos primeiros quatro meses de 2018 | foto Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Corredor do piso térreo é hoje inaugurado | foto Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Este foi o corredor intervencionado | foto DR

O Elevador de Santa Justa vai ter um museu. Depois de hoje inaugurar mais uma das renovações que têm vindo a mudar a cara deste monumento centenário da capital, a Carris anuncia que a substituição dos motores das duas cabines que fazem o transporte dos visitantes vai permitir libertar espaço na casa das máquinas para se criar um espaço com a história do elevador. Uma mudança que só deverá acontecer daqui a dois anos.

Hoje, quem entrar pela Rua do Ouro no Elevador de Santa Justa até pode não dar pelas mudanças. Mas um olhar mais atento vai permitir ver que o piso térreo está de cara lavada. A discrição das mudanças acontece porque as obras aconteceram numa zona pouco usada. Em vez de uma parede suja e pouco iluminada de um corredor que dá a volta ao monumento, há agora um painel informativo, claro e iluminado com os monumentos e a história de Lisboa e há uma nova estrutura metálica que recupera a traça original. Transformando um corredor que não tinha utilidade numa zona de espera mais agradável, acredita a Carris, empresa gestora do elevador.

Aos 115 anos, o monumento nacional ainda vai ter mais remodelações: os elevadores vão ganhar novos motores (um muda no inverno de 2018 e outro no inverno seguinte), permitindo abrir a casa das máquinas como espaço museológico, e nos primeiros quatro meses de 2018, o piso do miradouro vai voltar ao original e ganha luzes LED que se iluminarão à noite.

Os cuidados de restauro do elevador começaram em 2009, com a reabilitação da estrutura, cuja finalidade foi a de preservar e melhorar as condições de segurança.

Esta última remodelação, foi realizada nos últimos meses, e não interrompeu as visitas, talvez, por isso, um dia antes da inauguração , os turistas não davam pela sua existência . "Não reparámos em nada", admite Eduardo, turista espanhol, olhando em volta à procura de um sinal de obras. No último dia que ele e a mulher passaram em Lisboa, aproveitaram para ir ver a capital portuguesa do miradouro. "Viemos pela vista, não sei nada do monumento", confessa o visitante, ainda na fila para entrar.

No miradouro, os turistas passeiam sem restrições, pelo menos por enquanto. Vão fazendo selfies, pedindo a outros visitantes que tirem fotografias de grupo e poucos admiram a obra em que estão. Já que os olhos e as câmaras pousam apenas no horizonte alfacinha. Um olhar mais atento só para admirara o trabalho de ferro fundido, quando os óculos de sol de uma turistas espanhola voaram e ficaram presos entre o chão e o gradeamento em ferro. As restrições de espaço fazem com que nunca fique demasiado cheio. O que vai ser bom, a partir de janeiro, quando arrancar a obra que vai retirar o piso antiderrapante que cobre o miradouro. "Vai ser substituído pelo piso igual ao original e vai ter luzes LED. Ainda se pensou no vidro, mas em termos de manutenção acabou por se decidir que o melhor era o piso original", explica fonte oficial da Carris.

Esta obra deve estar concluída no final de abril e não está previsto o encerramento do miradouro. embora deva existir alguma limitação de circulação dos visitantes. Além de que, "pode dar-se o caso de se fechar as entradas um dia ou outro, pontualmente", acrescenta a mesma fonte. Está também prevista a construção de mais uma escada em caracol de acesso ao miradouro - existem duas: uma para subir e outra para descer.

Reativação do elétrico

A renovação do Elevador de Santa Justa ficará completa quando nos invernos de 2018 e 2019 forem substituídos os dois motores das duas cabines. Já que vai ser preciso mudar um de cada vez, para evitar fechar o monumento. Os novos equipamentos vão ser colocados em cima dos elevadores, libertando espaço na casa das máquinas para criar um pequeno museu que conte a história do local. Neste momento, há sempre um técnico na casa das máquinas, para evitar que os motores originais não tenham problemas.

Criando esse espaço de museu como ponto de paragem e a abertura, agora, no piso térreo de dois balcões de venda de merchandising da Carris Tour, o objetivo é que os cerca de um milhão de visitantes anuais fiquem mais tempo no elevador. Os dois balcões passam a estar na zona de entrada e saída, debaixo das escadas, que com esta renovação ganharam luz.

A Carris Tour espera também reativar a linha de elétricos no largo do Carmo, permitindo fazer a ligação com o elevador. Numa primeira fase, será uma ligação apenas turística, mas não está excluído que os lisboetas possam vir a usufruir de elétricos regulares.