Como Jesus morreu: descoberto esqueleto com evidências de crucificação

Tinha entre 30 a 34 anos e uma ferida num dos calcanhares aponta para que tenha sido crucificado há 2000 anos

DN
©  REUTERS/Alkis Konstantinidis

Em 2007, uma equipa de investigadores da Universidade de Ferrara, em Itália, descobriu um esqueleto durante uma escavação de um túmulo a norte do país. Com idade definida entre os 30 e os 34 anos, os ossos apresentavam lesões no calcanhar direito, coincidentes às de uma crucificação. Os resultados das análises foram agora publicados num estudo na revista Archaeological and Anthropological Sciences.

O The Times of Israel revela que o corpo - masculino e com mais de 2000 anos - foi descoberto deitado de costas com os braços ao lado e as pernas esticadas.

Um exame detalhado ao esqueleto revelou que o calcanhar direito havia sido perfurado através do osso. Uma potencial evidência de crucificação, garantem os coautores do estudo Emanuela Gualdi e Ursula Thun Hohenstein.

Emanuela Gualdi disse ao jornal italiano Estense que, "no caso específico, apesar das condições precariamente preservadas, podemos demonstrar a presença de sinais no esqueleto que indicam uma violência semelhante à de uma crucificação".

"Embora esse tipo brutal de execução tenha sido aperfeiçoado e praticado há muito tempo pelos romanos, as dificuldades em preservar os ossos danificados e, posteriormente, em interpretar traumas, impedem o reconhecimento das vítimas da crucificação, tornando este testemunho ainda mais precioso" afirmou também Ursula Thun Hohenstein, que ressalva ainda a importância desta descoberta:

"A importância da descoberta reside no facto de este ser o segundo caso documentado no mundo".

Até agora, a única evidência de uma vítima da crucificação romana tinha sido encontrada por Vassilios Tzaferis durante uma escavação em Jerusalém, em 1968, altura em que foi encontrado um esqueleto que revelava uma ferida no osso do calcanhar onde teria sido enterrado um prego de 18 cm, sobre o qual foi encontrado cerca de 1-2 cm de madeira de oliveira - remanescentes da cruz na qual teria sido pendurado, concluíram os investigadores.

Embora amplamente atestado em escritos históricos - incluindo o Novo Testamento - esta é apenas a segunda prova arqueológica de uma crucificação, a pena capital praticada pelos romanos contra criminosos, bem como revolucionários como Jesus.