Bom tempo chega a conta-gotas mas Algarve já espera enchente

Temperaturas devem variar entre os 20 e os 25 graus, levando à expectativa de aumento de turistas a sul. Quarta-feira volta a chuva

Roberto Dores
© Filipe Amorim/Global Imagens

O sol e a subida da temperatura, até aos 20-25 graus, que deverão acompanhar o fim de semana prolongado, abrem boas perspetivas para o Algarve continuar a viver um dos melhores anos de sempre.

"No ano passado já perspetivávamos que 2016 iria ser bom. Hoje digo que está a ser bastante bom", garantiu ao DN o presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve, Desidério Silva, que sustenta a afirmação com a subida de 20% registada no tráfego do aeroporto de Faro - de janeiro a março - e com a taxa de ocupação de 50% entre as unidades hoteleiras. "São ótimos indicadores que nos levam a acreditar que o turismo possa disparar este fim de semana com a melhoria do tempo", sublinha o dirigente, embora o sol seja de pouca dura para a maioria do território nacional.

É caso para dizer que o bom tempo vai chegar a conta-gotas à maioria das regiões. Ou seja, se o céu se deverá apresentar azul a partir deste domingo no Sul, os aguaceiros poderão continuar a cair de forma fraca no Norte e Centro, segundo o meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Ricardo Tavares.

Mas para este sábado ainda está previsto vento fraco, neblinas ou nevoeiros em alguns locais. Só segunda e terça haverá bom tempo para todos, ficando Portugal sob influência de uma crista anticiclónica que vai deixar o céu pouco nublado ou limpo, com vento fraco. Deverá assistir-se a uma subida da temperatura máxima que pode atingir os seis graus entre domingo e segunda, chegando aos 25 graus Célsius, enquanto as mínimas poderão subir dois a três graus, chegando aos 13.

Porém, a chuva deverá regressar a Portugal na quarta-feira, podendo as regiões mais a sul escapar aos aguaceiros. Contudo, resume Ricardo Tavares, "o agravamento para a próxima semana também é temporário, porque o sol vai voltar no próximo fim de semana", diz, embora Desidério Silva não se mostre preocupado com uma eventual instabilidade do clima. Sustenta este responsável que perante os resultados obtidos este ano nos mercados alemão, francês, inglês, holandês, Irlandês e espanhol, o regresso do sol este fim de semana poderá funcionar como uma espécie de "rampa de lançamento" para o verão que se avizinha.

"Depois entra maio, que já é um mês de muita procura e podemos garantir resultados excelentes até à época alta, atingindo os objetivos anuais", admite, referindo-se à taxa de ocupação média entre os 65% e os 70%, que traduz a meta estabelecida que assegura a sustentabilidade do turismo algarvio, como resposta à questão da sazonalidade. "Mesmo que ainda haja alguma chuva na região as pessoas adaptam-se às condições, porque o Algarve está hoje preparado com uma oferta de qualidade", acrescenta Desidério Silva.

Agora atenção: se está a pensar em aproveitar os 25 graus para ir à praia, saiba que nesta altura do ano os riscos são maiores, pelo que os cuidados deverão ser redobrados. Que o diga o porta-voz da Autoridade Marítima. Nuno Leitão alerta os mais afoitos para que "não se aventurem em demasia" a entrar na água. "O mar ainda está com força de inverno e pode haver várias alterações de fundo, consequência dos temporais dos últimos meses. Além disso, a água ainda está muito fria", acrescenta, relembrando que as praias não têm vigilância.

Já o presidente da Associação de Nadadores-Salvadores do Litoral Alentejano (Resgate), António Mestre, chama a atenção para possíveis "agueiros e correntes" próprios desta época do ano. A Resgate não tem nada planeado para o fim de semana prolongado, mas admite "ajudar dentro do que estiver ao alcance", admitindo que poderia ter nadadores-salvadores nas praias nestes dias "caso houvesse apoio das autarquias. Isto tem custos elevados", sublinha, uma vez que fazem falta pessoas e equipamentos.

O Instituto de Socorros a Náufragos recomenda a quem for à praia que tenha muita atenção ao comportamento das marés, evitando distrações e não permitindo que as crianças brinquem na zona da areia molhada. "Se a areia está molhada significa que a água já ali chegou e um golpe de mar inesperado pode arrastar uma pessoa para uma zona difícil", avisa ainda Nuno Leitão.