A este ritmo temperatura vai subir mais que 1,5 ºC até 2040

Alerta sobre incumprimento da meta de Paris é feito no esboço final do relatório do IPCC que deve ser aprovado pelos governos e publicado em outubro

Ana Bela Ferreira
O glaciar de Aletsch, nos Alpes é um dos maiores da Europa, e corre o risco de desaparecer nas próximas décadas devido às alterações climáticas© REUTERS/Denis Balibouse/File Photo

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta num novo relatório para a impossibilidade de, a este ritmo, cumprir a meta de não se aumentar a temperatura mais de 1,5 ºC até 2040.

O relatório, ainda um esboço, foi divulgado pela Reuters, mas só devia ser conhecido em outubro, altura em que todos os países terão dado o seu aval e este será publicado oficialmente. Depois de publicado, este será o principal guia científico de combate às alterações climáticas. Por ter sido revelado sem o aval do IPCC, o organismo das Nações Unidas já referiu na sua página que não vai comentar estes resultados.

Segundo a Reuters, o relatório, que foi revisto por mais 25 mil peritos, desde a última versão datada de janeiro, é agora mais robusto. E as suas conclusões não poderiam ser mais alarmantes: a este ritmo, as temperaturas vão subir mais de 1,5 ºC até 2040 em relação à temperatura da era pré-industrial, a meta estabelecida por 200 países no Acordo de Paris, em 2015.

Um falhanço que compromete também a economia mundial. "É esperado que o crescimento da economia mundial seja menor com o aumento da temperatura nos dois graus Celsius, do que de 1,5 graus para a maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento", refere o relatório. Isto porque quanto menos a temperatura subir, menos inundações e secas haverá, protegendo não só as colheitas, como evitando as mortes nas ondas de calor.

Além disso, um aumento de 2.ºC em vez de 1,5º C leva a um aumento do nível do mar 10 centímetros maior, expondo mais 10 milhões de pessoas nas áreas costeiras aos riscos de inundações, tempestades ou contaminação das plantações por maresia.

O acordo de Paris que decidiu limitar o aumento da temperatura média a 1,5 ºC ficou enfraquecido quando Donald Trump decidiu retirar os EUA do acordo e promoveu as indústrias fósseis.

Neste momento as temperaturas já subiram 1,8 graus Celsius em relação à época pré-industrial e continuam a subir cerca de 0,2 ºC a cada década, refere este esboço do IPCC, pedido pelos líderes que assinaram o Acordo de Paris.

as temperaturas já subiram 1,8 graus Celsius em relação à época pré-industrial e continuam a subir cerca de 0,2 ºC a cada década

No entanto, os cientistas que avaliaram os riscos da subida das temperaturas estão confiantes de que uma mudança do comportamento da economia global ainda pode mudar este cenário. Até porque as inovações tecnológicas e mudanças nos estilos de vida podem diminuir as necessidades energéticas até 2050, levando até a um crescimento da economia.

As previsões colocadas no documento apontam para que se as energias renováveis aumentarem em 60% entre 2020 e 2050 é possível manter o aumento de temperatura dentro do limite estabelecido. Assim, em 2050, 49 a 67% das energias usadas seriam de fonte renovável.

É ainda deixado o alerta de que se as temperaturas ultrapassarem o limite, os governos terão de encontrar medidas, como plantar vastas áreas de floresta, para tentar arrefecer o planeta e retirar carbono da atmosfera.