Alma de Alfama impressa em calcário

A fotógrafa britânica Camila Watson retratou 20 habitantes típicos de Alfama e imprimiu as fotos em pedra. Fernando Medina inaugurou a exposição e defendeu "a importância da alma de Alfama"

O Largo do Chafariz de Dentro, em Alfama, foi esta segunda-feira ponto de partida para a inauguração da exposição Alma de Alfama. O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, foi descobrindo as 20 fotografias da britânica Camila Watson fixadas em calcário espalhadas pelo bairro na companhia dos retratados.

Antes da viagem pelo bairro típico lisboeta, Medina e o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior discursaram. Miguel Coelho (PS) - de quem partiu o convite para a britânica voltar a captar a tradição lisboeta para a posteridade - acentuou a importância de "perpetuar nas paredes as pessoas carismáticas do bairro" e deixou um alerta ao autarca da cidade: "está em risco este bairro, está cercado pelo alojamento local".

Medina referiu na sua curta intervenção "a importância da alma de Alfama". O autarca de Lisboa disse: "nada melhor podemos fazer dentro de uma comunidade do que cuidar da alma" e definiu Alfama como "um dos bairros mais carismáticos da cidade de Lisboa". Questionado pelo DN sobre o alerta do presidente da junta, Medina remeteu para declarações anteriores por esta ser uma "questão complexa".

Depois dos discursos, seguiu-se a inauguração. Ou melhor, as inaugurações. Uma após outra, as 20 fotografias de moradores tradicionais do bairro foram sendo reveladas. Medina fez boa parte do percurso, descobrindo as fotos com os retratados e cumprimentando quem lhe surgia ao caminho.

A comitiva que serpenteou as ruas do bairro integrava a fotógrafa britânica. Camila Watson mora há uma década em Lisboa, na Mouraria, onde já fez um projeto semelhante, de retratar a população local. Em Alfama, foi "bem recebida" e à medida que seguia pelas ruas do bairro era cumprimentada com familiaridade. Tirou várias fotografias a cada um dos habitantes de Alfama que integram a exposição e coube a cada um deles a palavra final sobre a imagem escolhida para integrar esta exposição permanente em ruas, becos e largos do bairro.

"Temos de mostrar as pessoas que fizeram história, que estão a fazer história", referiu o autarca de Santa Maria Maior. A partir de hoje há 20 histórias para descobrir em Alfama. Da "Bélita" - Maria Isabel Pereira - do Largo do Chafariz de Dentro à Tininha fadista no Beco do Guedes.

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