Alfama, Castelo e Bairro Alto sem tuk-tuk? "Nem pensar!"

Empresários do setor aguardam para saber quais são as ruas dos três bairros históricos em que os veículos não poderão circular. Horário das 09.00 às 21.00 também é muito criticado

"Ainda não conheço. Vamos ver." É num misto de expectativa e apreensão que os empresários de tuk-tuk aguardam a divulgação, que deverá ocorrer hoje, do despacho assinado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, que impõe limites à circulação na cidade daqueles triciclos e outros veículos turísticos. A proibição de circular no Bairro Alto, em Alfama e no Castelo e a criação de 110 lugares de paragem serão algumas das medidas a implementar e que, alegam os responsáveis ouvidos pelo DN, só poderão ser avaliadas quando souberem em concreto quais são as ruas abrangidas.

"Em Alfama, se não pudermos circular na Rua da Regueira ou na de São Miguel, estou de acordo. Agora, se for na Rua dos Remédios, não", exemplifica o proprietário da Tuk Tuk Tejo, que detém dez riquexós, três dos quais elétricos. Para Bruno Perry Gouveia, "de forma alguma, Alfama, o Bairro Alto e o Castelo podem ficar de fora" do circuito dos tuk-tuks, ainda que, ressalva, compreenda a necessidade de compatibilizar esta atividade turística com os interesses dos moradores naqueles bairros históricos.

De acordo com o jornal Público, que teve acesso ao despacho, a intenção da autarquia é que "veículos ligeiros, motociclos, quadriciclos, triciclos ou ciclomotores que exerçam as atividades de animação turística" passem a circular nas vias limítrofes ao Bairro Alto, Alfama e Castelo e não no seu interior. Simultaneamente, serão criadas, num prazo de 15 dias a contar da publicação do documento, 110 "bolsas de estacionamento" distribuídas por 23 localizações, entre as quais o Largo do Chafariz de Dentro, o Largo da Sé, o Miradouro de São Pedro de Alcântara, a Torre de Belém e o Campo das Cebolas.

A delimitação destes lugares era, acrescenta Tiago Almeida, da Eco Tuk Tuk, esperada "há bastante tempo" pelos empresários do setor, mas, sublinha por sua vez Bruno Perry Gouveia, é importante saber qual é o local concreto de paragem. "Na Praça do Império [em Belém], por exemplo, é diferente ser ao pé do Mosteiro dos Jerónimos ou no meio do jardim", explica.

Cruzeiros e noites de verão

Mais negativas são as reações à imposição de, "nas freguesias de Estrela, Misericórdia, Santo António, Santa Maria Maior e São Vicente", os triciclos e outros veículos de animação turística só poderem transitar entre as 09.00 e as 21.00. "Não estou de acordo, porque há muitos sítios em que se pode começar antes das nove da manhã. Os passageiros dos cruzeiros desembarcam às oito", salienta Bruno Perry Gouveia, que acrescenta que há determinados circuitos que poderiam ser feitos à noite transitando por "avenidas principais onde circulam outros veículos". "No verão, às nove da noite ainda é de dia", lembra. Além disso, frisa, não compreende como podem o ruído e a poluição ser utilizados como argumento quando em causa estão veículos elétricos.

Tiago Almeida, cuja empresa detém apenas tuk-tuks elétricos, critica a aparente inexistência no despacho municipal de uma "discriminação positiva" para este tipo de veículos. "Pode ser que esteja no regulamento", adianta, referindo-se ao documento que ainda nesta semana deverá ser apresentado aos órgãos autárquicos e que Fernando Medina garantiu que incluirá a obrigatoriedade de, a partir de 2017, todos os veículos visados terem de ser elétricos para transitar. O que se pretende, precisou o autarca, é "ter uma cidade em que os moradores convivam bem com os veículos de animação turística".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Falem do futuro

O euro, o Erasmus, a paz. De cada vez que alguém quer defender a importância da Europa, aparece esta trilogia. Poder atravessar a fronteira sem trocar de moeda, ter a oportunidade de passar seis meses a estudar no estrangeiro (há muito que já não é só na União Europeia) e - para os que ainda se lembram de que houve guerras - a memória de que vivemos o mais longo período sem conflitos no continente europeu. Normalmente dizem isto e esperam que seja suficiente para que a plateia reconheça a maravilha da construção europeia e, caso não esteja já convertida, se renda ao projeto europeu. Se estes argumentos não chegam, conforme o país, invocam os fundos europeus e as autoestradas, a expansão do mercado interno ou a democracia. E pronto, já está.