Alcântara vai ter um corredor verde a ligar Monsanto ao Tejo

Projeto prevê um novo parque urbano, requalificação da envolvente do Aqueduto das Águas Livres e da Avenida de Ceuta. Sá Fernandes promete que as obras não vão incomodar.

São 13 hectares de terreno ao longo de mais de três quilómetros - o vale de Alcântara vai ter um corredor verde que permitirá a ligação pedonal e de bicicleta entre Monsanto e o rio Tejo. A obra deverá estar concluída dentro de um ano. Sem incomodar os lisboetas, prometeu ontem o vereador da Estrutura Verde, José Sá Fernandes.

"A obra não incomoda ninguém, não há problema com a circulação automóvel nem se estraga nada, pois os terrenos estão vazios", afirmou o responsável autárquico, citado pela Lusa. Segundo Sá Fernandes, grande parte dos trabalhos estarão concluídos "daqui a um ano, ano e meio", podendo em alguns casos estender-se por 20 meses.

O projeto que vai ser implementado estabelece uma ligação ciclo pedonal que nasce no parque urbano da Quinta do Zé Pinto, assentando num percurso que passa por novos espaços verdes, na direção do Bairro da Liberdade (que fará a ligação ao corredor verde que liga Monsanto ao Parque Eduardo VII, permitindo assim a circulação pedonal e de bicicleta entre o centro da cidade e o rio).

Já o acesso à interface ferroviária de Campolide sofre "grandes melhorias para a circulação de pessoas, a pé ou de bicicleta", refere -se no vídeo de apresentação do plano. Na envolvente ao Aqueduto das Águas Livres vai nascer um viaduto ciclo pedonal que facilitará o acesso da estação ferroviária de Campolide ao novo parque urbano da Quinta da Bela Flor, "ativando-se assim uma área vital da cidade". E "será finalmente possível caminhar entre os arcos" do monumento.

"É absolutamente extraordinário passar debaixo do Aqueduto das Águas Livres, que é um dos monumentos mais importantes do mundo", disse ontem José Sá Fernandes na apresentação do projeto, que decorreu na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcântara.

Primeira fase avança já

A intervenção vai dividir-se em quatro segmentos, o primeiro dos quais deverá ser aprovado na reunião camarária de 13 de outubro próximo, traduzindo-se na construção do Parque Urbano da Quinta da Bela Flor (que terá mais de cinco hectares, combinando "lazer e produção hortícola"), obra que "irá a concurso por 1,5 milhões de euros", referiu Sá Fernandes. Depois, será a vez do Bairro da Liberdade, com a construção do viaduto e de um túnel por baixo da linha férrea. Na última fase, a intervenção estende-se à Avenida de Ceuta, que terá uma passagem de água no corredor central e uma faixa de rodagem (em cada sentido) para os transportes públicos. Previstos estão também "mais e melhores pontos de atravessamento" para as áreas residenciais.

Arborizado e com água reciclada

O novo corredor terá mais de 700 novas árvores, que serão regadas com água reciclada, a partir da ETAR de Alcântara. "Estamos a introduzir tubagens para que a reutilização da água seja uma realidade" em toda a cidade, disse Sá Fernandes, referindo que isso permitirá "uma poupança e uma mostragem de boas práticas ambientais" aos munícipes. Da água à luz, a intervenção no corredor de Alcântara - que terá uma "importância vital no processo de adaptação às alterações climáticas" - passará também pela melhoria e pelo aumento da iluminação pública.

"Alcântara quer dizer ponte, mas não tem havido ponte nenhuma entre Campolide e Alcântara, entre o lado do Tejo e Monsanto", sublinhou Sá Fernandes, acrescentando que era um "desejo de há muitos anos conseguir encontrar uma solução para este vale". O vereador apontou a "próxima primavera" para a conclusão dos corredores verdes das zonas oriental, ocidental e central. Com Lusa

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