Ajuda vai ter bacia para reter água da chuva e reduzir cheias em Alcântara

Projetos sustentáveis que devem reduzir o risco de inundações nas zonas mais baixas de Lisboa vão estar hoje em análise

Vai nascer no novo Parque Urbano do Alto da Ajuda (Lisboa) uma bacia de retenção de águas da chuva que terá como objetivo diminuir os problemas com as cheias na zona da Cordoaria (Alcântara) sempre que há um volume de pluviosidade superior ao normal.

O estudo prévio deste projeto será conhecido pela primeira vez esta manhã num encontro onde a Câmara Municipal de Lisboa vai apresentar as várias soluções que estão a ser analisadas, em projeto ou já em construção na cidade, para regularizar os ciclos da água de forma a evitar as cheias que com regularidade atingem as zonas baixas.

"Há um conjunto de ações que têm muita importância na drenagem da cidade. Soluções que têm origem no controlo da origem e com um custo reduzido", adiantou ao DN José Sá Fernandes, o vereador responsável pela Estrutura Verde e Energia da autarquia.

Neste colóquio, que terá lugar na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho, ficarão a ser conhecidos os projetos para a requalificação da linha de água e das bacias de retenção no Parque do Vale da Ameixoeira, a forma como essa retenção irá ser efetuada na zona da futura Feira Popular de Lisboa - em Carnide - e os trabalhos para naturalizar o escoamento das águas no Parque Eduardo VII, obra que irá incluir uma empreitada para a reparação dos pavimentos da zona.

Nesta ocasião serão ainda analisadas as soluções já colocadas em prática na Quinta da Granja e no Campo Grande e as ideias previstas para o Vale de Alcântara, nomeadamente no Parque Urbano da Quinta da Bela-Flôr. Em discussão vão estar igualmente os dois parques que estão a ser construídos no chamado corredor verde oriental - Vale da Montanha e Vale Fundão.

As alterações climáticas acabam por obrigar a mudar a forma de as cidades se renovarem tentando melhorar a eficiência energética e um melhor aproveitamento da energia. Daí a aposta de Lisboa em "corredores verdes, agricultura urbana e biodiversidade", exemplificou José Sá Fernandes.

"As águas pluviais têm de ser geridas e para isso há várias medidas que são importantes para diminuir os caudais que chegam a sul da cidade", salientou. Nesse âmbito, o autarca destacou as intervenções no Alto da Ajuda, no Parque Eduardo VII e na futura Feira Popular de Lisboa.

"Amanhã [hoje] vamos apresentar pela primeira vez o estudo prévio para a bacia de retenção na Ajuda que vai ajudar à drenagem das águas que vêm das faculdades. Com esta medida vamos ter menos problemas na área da Cordoaria. Vamos reter o máximo das águas", frisou.

Importante para o vereador é também o conhecimento que os habitantes tenham destas estruturas e da sua importância. "Este [bacias de retenção] é um sistema eficiente e de baixo custo. E as pessoas têm de o perceber. Não é verem um espaço verde e pensarem que ali se podia fazer outra coisa. A superfície é côncava, a água fica ali retida, por baixo da relva, e vai escorrendo devagar para os coletores. É a maneira mais inteligente de regularizar os caudais. Quando a chuva diminui também se reduz o volume de água que depois chega aos coletores."

O processo de escoamento das águas da chuva previsto para o Parque Eduardo VII é outro dos temas centrais do colóquio desta manhã, a par da repavimentação daquela zona, que é um dos ex-líbris de Lisboa.

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