ACT diz ser prematuro avançar com causas de derrocada

Inspetor mostrou-se "extremamente preocupado por, no meio da cidade de Lisboa, morrer uma pessoa a trabalhar"

O Inspetor-Geral da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) disse ser prematuro avançar com as causas da derrocada que provocou hoje a morte a um trabalhador numa obra em Lisboa, porque as autoridades ainda não conseguem ir ao local.

"É muito complicado apurar as causas da derrocada porque a instabilidade é muito grande e o acesso ao local está interdito pela Proteção Civil. As instabilidades numa demolição não podem existir, por isso é que existem normas de segurança. Não existem acidentes por acaso", afirmou Pedro Pimenta Braz.

O inspetor, que falava aos jornalistas no local, reafirmou que houve o desmoronamento de uma parede que provocou a morte de uma pessoa e o desaparecimento de outra, mostrando-se "extremamente preocupado por, no meio da cidade de Lisboa, morrer uma pessoa a trabalhar", afirmando que tal "não pode acontecer em países modernos", dando o exemplo da Suécia.

Tanto Portugal como a Suécia têm 10 milhões de habitantes, cinco milhões dos quais população ativa, no ano passado morreram em Portugal, na sequência de acidentes de trabalho, 160 e na Suécia, 35, avançou.

"Todos temos um caminho muito grande a fazer: as nossas empresas, empreiteiros e a ACT" para evitar estas mortes, frisou.

A derrocada, na parte interior da fachada de um prédio que está em obras na Rua Alexandre Herculano, em Lisboa, provocou hoje a morte a um trabalhador, estando ainda um segundo desaparecido, ambos trabalhadores da empreitada e de nacionalidade portuguesa.

O alerta de desabamento foi dado pelas 12:00, havendo inicialmente "dois trabalhadores desaparecidos, supostamente debaixo dos escombros", segundo o porta-voz da PSP de Lisboa, Sérgio Soares.