Acidentes de trabalho na construção já mataram 17 pessoas em 2016

Número foi avançado pelo presidente do Sindicato da Construção de Portugal

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, afirmou hoje no Porto que no primeiro semestre deste ano morreram 17 trabalhadores em acidentes de trabalho, mais um do que no mesmo período de 2015.

Em conferência de imprensa para balanço da campanha 2016 alusiva à segurança, Albano Ribeiro defendeu a constituição de comissões quadripartidas para intervirem nas obras desde a primeira fase até à sua conclusão.

O dirigente do sindicato propõe que as comissões sejam compostas pelas câmaras municipais, pela Autoridade das Condições de Trabalho (ACT), pelos sindicatos e pelas associações patronais.

"A primeira intervenção deve ser feita logo no primeiro dia do arranque da obra, para que se verifique se o projeto foi aprovado pela respetiva câmara municipal e se estão reunidas todas as condições, nomeadamente ao nível da segurança, face à lei vigente", defendeu.

Segundo o dirigente sindical, "só assim será possível trabalhar em segurança e saudavelmente, uma vez que cerca de 40% dos trabalhadores do setor não fizeram exame de Medicina no Trabalho. Esta situação já deu lugar a acidentes mortais, em que depois a causa foi 'morte natural'".

No conjunto de propostas, que o presidente do sindicato disse que iria enviar ainda hoje ao Ministro do Trabalho, Vieira da Silva, o dirigente sindical defende que "nenhuma empresa possa apresentar-se a concursos, quer públicos quer privados, se não tiver mais de 60% de mão-de-obra qualificada e com vínculo laboral estável".

De acordo com Albano Ribeiro, "a maior parte das obras de reabilitação urbana estão a ser feitas por um grande número de empresas ilegais e existem situações em que nem empresas são. A não serem tomadas medidas, os acidentes mortais no setor vão aumentar ainda mais".

"Para que esta situação se altere para bem dos trabalhadores e das empresas idóneas que são penalizadas por esta concorrência desleal, deve ser elaborada legislação para ser aplicada o mais rapidamente possível no setor", frisou.

Em relação à campanha segurança 2016, que tem como objetivo "'0' acidentes mortais nas pequenas, médias e grandes empresas", Albano Ribeiro disse que tem sido realizada "sem o apoio da Autoridade para as Condições do Trabalho".

No total, foram realizadas pelo sindicato da construção 160 ações pedagógicas durante o período normal de trabalho, contactando mais de cinco mil trabalhadores, foram percorridos mais de cinco mil quilómetros e gastos cerca de quatro mil euros.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.