Paga 25 mil euros para amigo matar os pais. Queria a herança

Mandante, amigo e namorada foram agora acusados de dois homicídio na forma tentada

Um homem de 47 anos contratou um amigo para matar os pais, tendo-lhe pago 25 mil euros, que este queria usar com a namorada para comprar um BMW. Os factos remontam a outubro do ano passado e os três foram agora acusados de dois homicídio na forma tentada, avança hoje o Jornal de Notícias.

De acordo com esta publicação, o mandante estava zangado com os pais, de 79 e 69 anos, que não aprovavam o relacionamento amoroso que este mantinha e que o acusavam de gastos excessivos. Assim, este indivíduo terá pago 25 mil euros a um amigo para matar os pais, simulando um assalto seguido de homicídio.

O mandante quereria ter acesso à herança dos progenitores. Ao longo de vários encontros, o trio terá combinado ao detalhe como seria executado o crime.

A 22 de novembro, segundo conta o JN, o executante colocou um gorro na cabeça e invadiu a casa dos alvos, em Vila do Conde, de arma em punho. Após lhes ter pedido ouro e dinheiro, disparou. Só que a arma encravou. O indivíduo acabou por usar a coronha para os agredir. Depois, fugiu e livrou-se das armas e da roupa, as quais foram encontradas pelas autoridades, que detiveram o trio poucas horas após o crime.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?