A "Geringonça" vai desfilar no carnaval de Torres Vedras

Uma "geringonça" política com dificuldades de movimentação vai desfilar este ano no Carnaval de Torres Vedras, que se realiza entre hoje e terça-feira, sob o tema "brinquedos e brincadeiras"

Nos estaleiros do Carnaval, ultimam-se os oito carros alegóricos, conhecidos pela sátira político-social. Um deles representa a 'geringonça' do Governo, com as figuras de António Costa (PS), Jerónimo de Sousa (PCP), Catarina Martins (BE) e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa a demonstrarem dificuldades em pô-la em andamento, por ser movida por uma roda quadrada.

Já o ministro das Finanças, Mário Centeno, é um boneco que salta de uma caixa de brincadeiras e assusta o Zé Povinho.

Noutro carro, seguem os jogadores da seleção nacional de futebol, que foram este ano campeões europeus.

O Carnaval de Torres coloca ainda o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, como o dono de todos os brinquedos, enquanto o bebé Zé Povinho chora.

Ainda na política internacional, a chanceler alemã Merkel aparece como a dona do dominó em que se transformou a União Europeia, cercado por arame farpado, onde as políticas estão em causa, tal como a livre circulação dentro do espaço europeu.

A Câmara de Torres Vedras vai este ano implementar medidas para incentivar a redução do consumo de bebidas em copos de plástico durante o Carnaval, com o objetivo de diminuir os resíduos da festa.

Na troca de 20 copos de plástico usados, os foliões vão receber de oferta uma bebida nos chamados 'ecobalcões', junto aos palcos dos recintos ao ar livre, refere uma nota de imprensa.

Outras medidas passam por sensibilizar os visitantes para o uso de um único copo e os bares para a separação dos resíduos.

No final da festa, a autarquia vai reencaminhar os resíduos produzidos para reciclagem. Em 2016, foram recicladas 1,1 toneladas só de plástico.

Face à afluência de visitantes à cidade nos fins de semana anteriores ao Carnaval, várias queixas da falta de limpeza das ruas chegaram à reunião pública do executivo municipal, na terça-feira.

Apesar de os serviços de limpeza terem sido reforçados, o presidente da câmara, Carlos Bernardes, admitiu que "não foram suficientes".

Os festejos atraem por ano cerca de 350 mil visitantes e geram receitas de cerca de 10 milhões de euros na economia local.

O Carnaval começa hoje com o corso infantil, em que participam cerca de nove mil alunos das escolas do concelho.

Com um orçamento de 650 mil euros, o evento tem programado os habituais corsos diurnos, no domingo e na terça-feira, e noturnos, no sábado e na segunda-feira, em que desfilam milhares de foliões mascarados e os carros alegóricos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

Premium

nuno camarneiro

É Natal, é Natal

A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...