Obras na frente ribeirinha integram relíquias do passado

Carrilho da Graça no Campo das Cebolas

As escavações no Campo de Cebolas revelaram uma escadaria que o arquiteto vai incorporar no projeto.

"Descobrimos uma escada durante as escavações, que estamos a ver como vamos integrar", conta Carrilho da Graça na sua apresentação do Terminal dos Cruzeiros e outros projetos lisboetas para a plateia de investigadores que participa até amanhã na 14.ª conferencia internacional Docomomo. Uma fotografia dessa descoberta acompanha as palavras do arquiteto. Será conservada, tal como a muralha do porto que foi posta à vista pelas escavações arqueológicas que foram feitas ali no Campo das Cebolas, antiga zona de feiras da cidade de Lisboa.

Até ao final do século esta era uma zona muito construída, como mostram as imagens recolhidas, e exibidas na conferencia, por Carrilho da Graça. "Estava tudo muito construído". Tudo menos a Casa dos Bicos, atual sede da Fundação José Saramago, um palacete à italiana, como classifica o arquiteto, que ganhou dois pisos nos anos 80.

A esse espaço "muito construído", segue-se segundo o projeto de Carrilho da Graça, vencedor do concurso de requalificação desta zona, uma zona cheia de espaço livre e um parque de estacionamento subterrâneo, que, segundo a perspetiva do autor fará "a revelação de novos pontos de vista da cidade".

No Campo das Cebolas, Carrilho da Graça contou que usará todas as pedras que anteriores à sua chegada. Uma fotografia de cilindros a que foi acrescentado cimento, em fundo, explica é o método que vai usar em Lisboa, como explicou aos investigadores do Docomomo, organização internacional que promovo a documentação e conservação do legado do Movimento Moderno.

A requalificação do Campo das Cebolas, é o primeiro de dois projetos que João Luís Carrilho da Graça, e o seu atelier, têm em mãos. O outro, contíguo na geografia mas distinto no concurso é o do Terminal dos Cruzeiros, a Porta do Mar, junto à antiga Alfândega e à estação dos comboios, um dia erguidas sobre o rio.

O arquiteto fala dos projetos em separado. Que continuidade existe? "Sou eu, no mínimo", ri-se. Os arquitetos paisagistas envolvidos são diferentes. No Campo das Cebolas trabalha com Vítor Beira Mar Diniz, no Terminal dos Cruzeiros com João Gomes da Silva, que também apresentou uma comunicação nesta conferência a que chamou "A espessura dos lugar". "A matéria que está sob os nossos pés é a nossa matéria de uso no presente", disse João Gomes da Silva, que, como Carrilho da Graça, defende um uso das pré-existências históricas, como acontece com a margem do antigo porto no caso do Terminal de Cruzeiros.

Para a Porta do Mar, um concurso lançado em 2010, Carrilho da Graça pensou um edifício "o mais pequeno possível". "É um pequeno aeroporto", descreverá logo a seguir, passando à zona verde. "Um espaço que será usado por todos", diz, enquanto as imagens geradas por computador mostram um parque cheio de árvores e zona pedonal. Os cruzeiros, que serão como arranha-céus temporários, fazem a relação com a cidade.

Carrilho da Graça arranca uma gargalhada tímida à sala contando que "as escavações começaram ainda antes de se saber como ia ser o edifício". Os engenheiros com quem trabalha explicaram que seria necessário usar materiais leves e Carrilho da Graça está agora a experimentar um cimento com cortiça em pó, muito mais leve, criado no âmbito de um projeto da Corticeira Amorim e da Experimenta Design, exibido numa exposição que esteve no Mosteiro dos Jerónimos. "Tem metade do peso e continua a ser resistente. Gosto muito do resultado porque é semelhante à pedra usada em Lisboa", conta. Ao DN, à margem da conferência, Carrilho conta que será o primeiro local onde o material será usado. "Queria ter usado numa casa no Estoril, mas este projeto do terminal avançou primeiro". Já está a ser usado.

A frente ribeirinha de Carrilho da Graça é uma novidade cheia de pistas para o passado

"Descobrimos uma escada durante as escavações, que estamos a ver como vamos integrar", conta Carrilho da Graça na sua apresentação do Terminal dos Cruzeiros e outros projetos lisboetas para a plateia de investigadores que participa até amanhã na 14.ª conferencia internacional Docomomo. Uma fotografia dessa descoberta acompanha as palavras do arquiteto. Será conservada, tal como a muralha do porto que foi posta à vista pelas escavações arqueológicas que foram feitas ali no Campo das Cebolas, antiga zona de feiras da cidade de Lisboa.

Até ao final do século esta era uma zona muito construída, como mostram as imagens recolhidas, e exibidas na conferencia, por Carrilho da Graça. "Estava tudo muito construído". Tudo menos a Casa dos Bicos, atual sede da Fundação José Saramago, um palacete à italiana, como classifica o arquiteto, que ganhou dois pisos nos anos 80.

A esse espaço "muito construído", segue-se segundo o projeto de Carrilho da Graça, vencedor do concurso de requalificação desta zona, uma zona cheia de espaço livre e um parque de estacionamento subterrâneo, que, segundo a perspetiva do autor fará "a revelação de novos pontos de vista da cidade".

No Campo das Cebolas, Carrilho da Graça contou que usará todas as pedras que anteriores à sua chegada. Uma fotografia de cilindros a que foi acrescentado cimento, em fundo, explica é o método que vai usar em Lisboa, como explicou aos investigadores do Docomomo, organização internacional que promovo a documentação e conservação do legado do Movimento Moderno.

A requalificação do Campo das Cebolas, é o primeiro de dois projetos que João Luís Carrilho da Graça, e o seu atelier, têm em mãos. O outro, contíguo na geografia mas distinto no concurso é o do Terminal dos Cruzeiros, a Porta do Mar, junto à antiga Alfândega e à estação dos comboios, um dia erguidas sobre o rio.

O arquiteto fala dos projetos em separado. Que continuidade existe? "Sou eu, no mínimo", ri-se. Os arquitetos paisagistas envolvidos são diferentes. No Campo das Cebolas trabalha com Vítor Beira Mar Diniz, no Terminal dos Cruzeiros com João Gomes da Silva, que também apresentou uma comunicação nesta conferência a que chamou "A espessura dos lugar". "A matéria que está sob os nossos pés é a nossa matéria de uso no presente", disse João Gomes da Silva, que, como Carrilho da Graça, defende um uso das pré-existências históricas, como acontece com a margem do antigo porto no caso do Terminal de Cruzeiros.

Para a Porta do Mar, um concurso lançado em 2010, Carrilho da Graça pensou um edifício "o mais pequeno possível". "É um pequeno aeroporto", descreverá logo a seguir, passando à zona verde. "Um espaço que será usado por todos", diz, enquanto as imagens geradas por computador mostram um parque cheio de árvores e zona pedonal. Os cruzeiros, que serão como arranha-céus temporários, fazem a relação com a cidade.

Carrilho da Graça arranca uma gargalhada tímida à sala contando que "as escavações começaram ainda antes de se saber como ia ser o edifício". Os engenheiros com quem trabalha explicaram que seria necessário usar materiais leves e Carrilho da Graça está agora a experimentar um cimento com cortiça em pó, muito mais leve, criado no âmbito de um projeto da Corticeira Amorim e da Experimenta Design, exibido numa exposição que esteve no Mosteiro dos Jerónimos. "Tem metade do peso e continua a ser resistente. Gosto muito do resultado porque é semelhante à pedra usada em Lisboa", conta. Ao DN, à margem da conferência, Carrilho conta que será o primeiro local onde o material será usado. "Queria ter usado numa casa no Estoril, mas este projeto do terminal avançou primeiro". Já está a ser usado.

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