A face mais moderna da PSP: presença em oito missões internacionais

Força de segurança mais antiga do país completa 150 anos. DN falou com oficiais na Geórgia, Colômbia e Palestina

É num clima de alta tensão entre os sindicatos e a ministra, devido, sobretudo, às reivindicações salariais e à realidade de um efetivo envelhecido - média etária de 42 anos numa corporação com 22 mil elementos -, que a PSP completa 150 anos de existência. O aniversário é hoje celebrado mas a cerimónia oficial de aniversário foi marcada para o dia 13.

É a força de segurança mais antiga do país, mas a sua modernização tem sido notória, quer interna quer externamente. Atualmente, a PSP conta com 11 oficiais destacados em missões internacionais. A mais recente enviada foi a chefe Dora para a missão de gestão civil de crises da União Europeia na Geórgia (EUMM Georgia). No âmbito da missão de gestão civil de crises da União Europeia, a PSP tem ainda um oficial no Mali, outro nos territórios palestinianos e outro em Níger. Em missão das Nações Unidas encontram-se sete elementos da PSP (quatro na Colômbia, um no Sara Ocidental, um no Haiti e um na Guiné-Bissau).

A PSP participa em operações de apoio à paz e de gestão civil de crises desde março de 1992, altura em que integrou a missão de polícia da ONU na UNPROFOR (United Nations Protection Force - Força de Proteção das Nações Unidas na ex--Jugoslávia).

Geórgia - Chefe Dora na missão mais recente

A missão mais recente da PSP, integrada na gestão civil de crises da União Europeia, é a da Geórgia (EEUM Geórgia), para onde foi enviada, a 15 de maio, a chefe Dora Alves, da PSP. Antes de ir fez uma preparação prévia. "Estudei apenas a relação da Geórgia com a Rússia, de acordo com a especificidade da missão em si." Dora Alves explica que "aos elemento destacados neste tipo de missão compete a recolha de informação acerca do cumprimento dos "acordos de paz" que existem entre as partes envolvidas, nomeadamente Rússia, Geórgia e Osseta do Sul. Todo o tipo de informação é necessária para prevenir, evitar ou minimizar algum conflito que possa surgir". O que mais encantou a chefe da polícia naquela parte do mundo foram "as paisagens maravilhosas". E sente-se em casa porque os portugueses "são conhecidos e apreciados".

Colômbia - Comissária Fátima está pela paz

Aos 41 anos, a comissária Fátima Rocha está a cumprir, desde 15 de novembro de 2016, um dos maiores desafios da sua carreira na polícia: observadora na missão das Nações Unidas na Colômbia. "É uma missão de cariz político com contornos delicados, porque a Colômbia conta com 50 anos de conflito. Passei por um treino intensivo no início da missão, quando ainda estávamos no quartel-general em Bogotá", contou a comissária, solteira e sem filhos. Fluente em inglês e espanhol, Fátima Rocha não tem sentido dificuldades em dialogar. "A posição de observador da ONU é um papel de mediador de relações entre as FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo) e o governo. Estabelecemos contactos entre as partes para um objetivo: alcançar a paz na Colômbia."

Palestina - Comissário César forma polícias

Até ingressar na missão de um ano de gestão civil de crises da União Europeia para os territórios palestinianos, que começou a 26 de março, o comissário César Ponte, 39 anos, esteve num processo de recrutamento aberto em outubro de 2016. O polícia português foi escolhido para uma shortlist em novembro e selecionado depois de uma entrevista. Foi fazer parte da história numa das zonas mais conflituosas do mundo. César Ponte, casado e pai de um filho, está como senior police adviser. É conselheiro para a formação das unidades da polícia civil palestiniana especializadas em ordem pública e proteção a instalações. "Estou a ajudar a estabelecer mecanismos policiais sustentáveis e eficazes através da minha experiência e know-how", contou. A sua atividade realiza-se essencialmente em Ramal lah, na Cisjordânia, mas pontualmente poderá deslocar-se em vários distritos. César Ponte vai apreciando as coisas boas da cultura do Médio Oriente, como a gastronomia. Aprecia, entre outras iguarias, maqluba (risoto com frango ou cordeiro e legumes).

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