A cidadã exemplar que liderava o tráfico de marfim na Tanzânia

Yang Feng Glan é acusada de traficar marfim de 353 elefantes e de ter entregue armas a caçadores furtivos.

Yang Feng Glan pertencia à elite dos chineses na Tanzânia. Chegou na década de 1970, licenciada pela Universidade de Pequim no dialecto Suaíli, para trabalhar como tradutora na obra de um caminho de ferro. Ficou por lá. Ganhou dinheiro e reputação. Era presidente da Câmara de Comércio Chinesa e Africana para o país, proprietária do Restaurante Beijing, no centro de Dar es Salaam, dona de inúmeros imóveis espalhados pelo país, e acionista de diversas empresas com interesses no continente africano. Agora, está presa, acusada de ter liderado uma rede de tráfico de presas de elefantes, e ganhou a alcunha de "rainha do marfim".

Ainda há um ano, era um exemplo de boa integração dos chineses em África. Em entrevista ao jornal China Daily, assumia-se orgulhosamente como facilitadora de pontes entre a China e o continente, descrevendo o seu restaurante como uma plataforma de negócios informal: "Hoje em dia já não conto com o meu restaurante para fazer dinheiro. Em vez disso, vejo-o como um local onde as pessoas da China e da Tanzânia podem comunicar, fazer amizades e trocar informações."

De acordo com as acusações que enfrenta em tribunal - que lhe poderão valer entre os 20 e os 30 anos de prisão -, o restaurante seria de facto uma plataforma. Mas de tráfico ilegal. De acordo com a investigação, conduzida por uma unidade especial da polícia do país, dedicada à caça furtiva, seria ao restaurante Beijing que o marfim chegava, dissimulado em carregamentos de arroz.

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