1/3 dos médicos do Norte que abandonou SNS foi para o privado

A remuneração, as condições físicas e de equipamentos, o número de horas de trabalho e a progressão na carreira foram as razões da troca

Mais de um terço dos médicos da região Norte que saiu do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi trabalhar para o setor privado e quase metade dos internos pondera emigrar após concluir o internato de especialidade.

Estas são algumas das conclusões do estudo "A carreira médica e os fatores determinantes da saída do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", realizado na região Norte de Portugal em colaboração com a Ordem dos Médicos.

Na fase do estudo em que se avaliaram os clínicos que saíram do SNS, foram obtidas 812 respostas e concluiu-se que 36,1% dos médicos que abandonaram o sistema público optaram por trabalhar em exclusivo no setor privado.

Cerca de 43% saíram do SNS por reforma e sete por cento para a emigração, mostra o estudo efetuado por Marianela Ferreira, investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, com a colaboração da Ordem dos Médicos.

A média de idades dos médicos que optaram por trabalhar apenas no setor privado foi de 50 anos, os que saíram por reforma apresentavam uma média de 68 anos e os que decidiram emigrar apresentavam uma média de 40 anos.

Dos 253 médicos que saíram do SNS para o privado, a esmagadora maioria (mais de 80%) já acumulava funções quando estava no SNS.

A remuneração, as condições físicas e de equipamentos, o número de horas de trabalho e a progressão na carreira foram os aspetos em que mais médicos que saíram do SNS para o privado mostraram a sua insatisfação em relação ao setor público.

Dos cerca de 100 internos que participaram no estudo, quase 20% diz que não ficará no SNS após terminar o internato de especialidade e mais de 40% manifesta completa incerteza. Pouco mais de um terço afiram que "provavelmente" ou "definitivamente" permanecerá no setor público em Portugal.

Aliás, quase metade dos internos afirmou equacionar a possibilidade de exercer medicina no estrangeiro após o internato em Portugal e apenas 11% dizem que nenhum valor remuneratório o faria sair do país.

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