Hitler está a rebolar na cova. Sabe para onde vãos os lucros do Mein Kampf?

Lucros do manifesto assegurarão conforto e segurança de idosos outrora alvos do nazismo

A editora americana Houghton Mifflin Harcourt decidiu doar os lucros da publicação do infame manifesto antissemita de Hitler, Mein Kampf: A minha luta, a uma associação que presta cuidados a sobreviventes do Holocausto.

"A nossa intenção foi sempre que estes fundos tenham um impacto positivo", sublinhou Andrew Russell, diretor do departamento de responsabilidade social da editora no The Boston Globe.

A Jewish Family & Children Service, que garante o conforto e bem-estar de 270 sobreviventes do Holocausto idosos, receberá uma bolsa contínua que deve rondar os 54 mil euros (60 mil dólares), segundo revelou fonte próxima da Houghton Miffin Harcourt ao mesmo jornal.

Rimma Zelfad, presidente da associação beneficiária, já confirmou que a doação será usada para que se garanta "a segurança e o conforto destes idosos, nas suas próprias casas."

O manifesto de Hitler, cuja divulgação esteve proibida em Portugal até 2015, é publicado, em Boston, desde 1933, por esta editora. Os lucros conseguidos em território americano eram inicialmente enviados para a Alemanha. No início da II Guerra Mundial, os Estados Unidos invocaram a Lei de Comércio com o Inimigo, exigindo o redirecionamento dos lucros para o Departamento de Justiça, que os transmitia ao Fundo de Reivindicações de Guerra. Em 1979, a Houghton Mifflin Harcourt reclamou esse montante.

No início deste ano, a editora tinha sido muito criticada, quando anunciou a intenção de doar os lucros a uma organização cultural em Boston que promove a tolerância ainda que não especificamente ligada ao combate ao antissemitismo. A decisão foi consequentemente repensada.

Afinal, o ato de ódio original de Hitler pode transformar-se numa contínua e merecida série de reparações de guerra às suas principais vítimas.

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