Greve do SEF. Passageiros desesperam e sem cumprir regras sanitárias

O tempo de espera chegou às três horas no aeroporto de Lisboa devido à greve dos funcionários do SEF, com os passageiros ao molho e a protestar. Os três sindicatos referem que a adesão "atingiu o pleno das expectativas".

A greve dos funcionários do Serviço de Estrangeiras e Fronteiras (SEF) esta sexta-feira levou ao encerramento de quase todos os centros de atendimento. E, nos aeroportos, assistiu-se a horas de espera, o que provocou ajuntamentos e o desrespeito pelas regras sanitárias devido à pandemia. . Quem passou pelo aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, diz que foi o caos.

"Centenas de pessoas para entrar no aeroporto de Lisboa e com apenas um guichet a funcionar e as máquinas automáticas desligadas. A minha filha veio do Dubai num avião cheio, com aterragem coincidente com um de Cabo Verde, e isto em plena pandemia", protesta quem foi esperar familiares. Sublinha: "E queremos apostar no turismo".

A explicação dada aos passageiros, para o não funcionamento das máquinas automáticas, foi a mesma que o SEF deu ao DN: "O sistema RAPID (Reconhecimento Automático de Passageiros Identificados Documentalmente) foi desativado devido à pandemia".

A justificação não satisfez os utentes, argumentando estes que o sistema se mantém, por exemplo, no aeroporto Cristiano Ronaldo, no Funchal, sendo, posteriormente fiscalizados se têm o comprovativo de um teste negativo à covid-19, como é exigido.

Aquela situação é a prova para os sindicalistas que os objetivos foram alcançados. Os três sindicatos de trabalhadores do SEF consideram que a greve desta sexta-feira "atingiu o pleno das expectativas". A paralisação foi decretada por todas as estruturas sindicais - Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização (SCIF), Sindicato dos Funcionários do SEF (SINSEF) e o Sindicato dos Inspetores de Investigação, Fiscalização e Fronteiras (SIIFF), o que acontece pela primeira vez na estrutura.

"A greve atingiu o pleno a nível das nossas expectativas. Os inspetores praticamente só asseguraram os serviços mínimos. No aeroporto de Lisboa estão seis inspetores quando deveriam ser 30, com tempos de espera que chegaram às três horas. E os serviços de atendimento ao público estiveram praticamente todos encerrados, à exceção de dois ou três", disse ao DN, Acádio Pereira, o presidente do SCIF.

Acrescentou: "É a primeira vez que os três sindicatos convocaram uma greve conjunta, o que mostra a união entre os funcionários do SEF. Manifestam o seu descontentamento para com a decisão do Governo, que os deve ouvir e não continuar a ser autista".

Além de quererem ser ouvidos, defendem que qualquer alteração à estrutura do SEF tem de passar pelo "órgão de soberania competente, que é o Parlamento".

55 % de adesão

O gabinete de comunicação do SEF informou o DN que, até às 15:00 desta sexta-feira, se registou uma adesão de 55 %. dos funcionários do Serviço (Carreira de Investigação e Fiscalização e Carreira Geral), do total das unidades orgânicas de Portugal continental e ilhas.

Dos 36 postos de atendimento disponíveis ao público, a nível nacional, 26 estiveram encerrados devido à greve.

O SEF informa que "irá proceder à remarcação dos atendimentos e irá notificar os cidadãos, via email, de nova data para atendimento".

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