Grande afluência na feira de Espinho e esperança na Rua de Santa Catarina

Depois de quase três meses de interrupção forçada pela pandemia, a feira de Espinho voltou esta segunda-feira a funcionar em pleno, com mais de 700 feirantes a encherem de cor e movimento o recinto com mais de 28 mil metros quadrados. Uma reabertura esperada com "muita expectativa e ansiedade" pelos empresários, que já sentiam falta da azáfama das segundas-feiras.

Feirante há mais de 30 anos, António Monteiro - Tony, entre os colegas - dá a conhecer a duas freguesas a última moda da roupa desportiva. "É muito bom regressar. O tempo está a nosso favor e é dos clientes que nós vivemos".

Apesar de a circulação entre concelhos ter estado interdita até esta segunda-feira, a "carta branca" dada pelo Governo para o regresso das feiras e mercados levou centenas de fregueses a Espinho. "Ainda assim, a proibição provocou uma quebra de afluência. O que por um lado até calhou bem para um arranque mais tranquilo e com menos aglomerações", considerou Artur Andrade, presidente da Associação de Feirantes do Distrito do Porto, Douro e Minho.

Cliente assídua da feira de Espinho, Ana Brandão tirou a manhã para "dar uma voltinha" e ver as novidades. Levou grelos e fruta para casa. "Corri tudo. Já tinha muitas saudades, a feira estava muito vazia e triste". Também Júlio Gonçalves aproveitou a folga para comprar artigos para a cozinha, algo que não era possível fazer desde janeiro. "Gosto muito desta feira e estava a precisar de renovar alguns utensílios lá de casa".

De uma ponta a outra da feira, o "alívio e a esperança" inundou as barracas dos feirantes. Para Fernando Sá, presidente da Associação Feiras e Mercados da Região Norte, o regresso vem permitir fazer frente aos prejuízos elevados dos últimos meses. "A situação estava a tornar-se insustentável. Havia urgência em retomar a atividade".

Comércio desconfinou em Santa Catarina no Porto com muitas lojas que não reabriram

"Esperança" e "prudência" foram as palavras mais ouvidas, esta segunda-feira, na rua de Santa Catarina, na baixa do Porto, entre comerciantes e transeuntes.

Liliana Noverça, de 30 anos, responsável há nove anos pela loja "Pedra Dura", realça que "há muito esperava o dia de hoje para receber o cliente como merece e mostrar as peças, como deve ser". "Estamos sempre com muita esperança que tudo volte ao normal", diz. A lojista confessa que a "batalha foi dura" e foi "necessário descomplicar um ano de pandemia com muito cuidado com a limpeza e desinfeção dos produtos".

A segunda fase do plano do desconfinamento que teve início esta segunda-feira, contemplou também o comércio com as lojas com porta para a rua com menos de 200 metros quadrados a deixar de ter de vender ao postigo e a poder ter as suas portas abertas ao público.

Vender ao postigo foi uma novidade para Liliana: "Nunca vendi ao postigo, é ingrato para o cliente, até para mostrar as peças". "Queremos muito receber turistas e voltar à normalidade", diz, referindo, no entanto, que "foi muito triste ver muitas lojas a fechar definitivamente".

Margarida Santos, de 46 anos, abriu a loja de "souvenirs" na rua de Santa Catarina, um mês antes do início da pandemia, no ano passado. "Estávamos à espera de sucesso e aconteceu isto", desabafa, afirmando que tiveram que se adaptar à situação através da venda de produtos online.

No seu estabelecimento tem a cargo seis funcionários e comenta que não sabe como vai ser o futuro: "Só espero não voltar à mesma situação, nem pensar regressar ao confinamento e a fechar a loja, se for assim, o negócio não aguenta, aguentei muita ginástica para chegar até aqui, consegui manter toda a gente".

Eugénia Silva a caminho do trabalho na mesma rua de Santa Catarina deseja "regressar em força", uma vez que esteve em regime de teletrabalho até ao momento. "Não sei se o processo de vacinação irá demorar, mas é preciso esperar com cuidado e muita prudência", partilha.

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