Graça Freitas: "As vacinas são para a vida e dão-nos vida"

Explicar os benefícios da vacinação e os riscos da não vacinação são duas prioridades da Direção-Geral da Saúde para 2017. Graça Freitas, subdiretora-geral da saúde, destaca a boa taxa de vacinação que se regista no país, que atribui à qualidade do Programa Nacional de Vacinação (PNV), mas considera que é preciso continuar a informar os utentes sobre o que está em causa quando se fala neste tema. A imunização das crianças começa dentro da barriga das mães - com a vacina contra a tosse convulsa - e é para a vida.

Portugal tem uma taxa de vacinação bastante elevada. A que se deve este sucesso?

A taxa de vacinação está na ordem dos 95% para praticamente todas as vacinas. A única que não tem esses números é a do HPV. Desde o início do programa de vacinação que temos elevadas taxas de cobertura. Em primeiro lugar, porque o programa foi muito bem concebido. É um programa universal, o que quer dizer que qualquer pessoa em Portugal tem direito a ser vacinada. E é gratuito para o utilizador. Tem outras coisas boas, nomeadamente a sua permanente atualização e avaliação. Temos neste momento uma doença erradicada, que é a varíola, cinco doenças eliminadas e sete controladas.

Isso quer dizer que 5% das crianças não são vacinadas? Os movimentos antivacinação não têm grande expressão em Portugal?

Nós avaliamos as crianças aos 1, 2, 7 e 14 anos e, em todas as idades, apresentam valores na ordem dos 95%. Em cada idade, ficam para trás menos de 5% das crianças e algumas destas são repescadas ao longo da vida. Por enquanto, e felizmente, esses movimentos ainda não têm grande expressão. Existem um pouco por toda a Europa, sobretudo nos países mais desenvolvidos, mas em Portugal, de forma organizada, não existem. A vacinação é um ato voluntário e há pessoas que não se vacinam porque têm dúvidas e hesitações. Portanto, uma das grandes apostas deste programa para 2017 é a comunicação dos profissionais de saúde com os utentes, no sentido de explicarem exatamente quais são os benefícios da vacinação, quais são os riscos - porque há poucos riscos, mas não há risco zero -, mas, sobretudo, quais são os riscos da não vacinação, algo que as pessoas já não estão habituadas a pensar.

O que é que mudou no Programa Nacional de Vacinação?

Mudou o conceito. As vacinas são para a vida - podem ser administradas durante toda a vida - e dão-nos vida, ao evitarem doenças, algumas das quais mortais. A vacinação começa, de certa forma, in utero. As grávidas têm uma recomendação para se vacinarem contra a tosse convulsa, com o intuito de proteger o filho.

Os bebés passam a ser sujeitos a menos picadas?

Sim, aos 2 e aos 6 meses de idade passámos para uma estratégia de diminuição do número de injeções. Damos uma vacina hexavalente, que contém seis vacinas na mesma ampola, para aumentar o conforto, porque há outras vacinas que, não estando no programa, se podem administrar nestas idades. É facilitar a vida aos profissionais, às crianças, às famílias.

Porque é que vacinas como a do rotavírus não foram incluídas?

As vacinas são recomendadas de acordo com a epidemiologia de cada país, por isso é que cada um tem o seu programa. Em Portugal, a rotavírus é doença perfeitamente benigna, que não implica mortes, nem gravidade. A doença não tem peso ou carga suficiente para justificar a introdução da vacina, ao contrário de outros países.

Qual foi a adesão à vacina contra a gripe neste ano?

A adesão foi bastante boa. Comprámos 1,2 milhões de doses e temos neste momento cerca de 20 mil vacinas. Gostaríamos muito de gastá-las. A vacina é a melhor forma de prevenção da gripe.

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