Graça Freitas admite vacinação de jovens entre 12 e 15 anos já em setembro

Diretora-geral da Saúde garante que as vacinas são todas eficazes e acredita que a partir de setembro teremos condições de acabar com as restrições.

Graça Freitas admitiu este domingo, em entrevista ao JN e TSF, que em setembro 80% da população tenha já recebido uma dose das vacinas contra a covid-19, incluindo jovens entre os 12 e os 15 anos. "Já trabalhando no pressuposto de termos autorização dos 12 aos 15 anos, apesar do parecer técnico, que já o li e conheço, ainda não ter sido publicado pela comissão de vacinação", disse a diretora-geral.

A diretora-geral da Saúde reconhece que os jovens "têm hesitação" em vacinar-se. "Têm dúvidas, não sabem se é mesmo preciso, se a doença neles vai ser assim tão grave, se é uma maçada, se não é uma maçada", afirma. Mas, afirma, acrescenta: "Toda a gente perceberá, jovens ou não jovens, que mais tarde ou mais cedo todos vamos ser vacinados. A grande diferença é que uns vão ser vacinados por um vírus selvagem e vão pagar um preço por essa imunidade que é ficar doente, e outros vão ter a oportunidade de ficar imunizados através de uma vacina que é segura, eficaz e tem qualidade."

"Há pequenas diferenças de eficácia das várias vacinas"

A qualidade das vacinas disponibilizadas para combater a doença, precisamente, é uma das garantias que dá nesta entrevista. "Há pequenas diferenças de eficácia das várias vacinas", assegura.

A responsável da Direção-Geral da Saúde comenta também as mais recentes medidas governamentais para conter o crescimento de infeções em Portugal, nomeadamente pela nova variante Delta. Graça Freitas diz que se tratam de estratégias de adaptação ao que vai acontecendo do ponto de vista epidemiológico e que as alternativas seriam ainda piores. "A pior de todas as alternativas seria os restaurantes terem de encerrar", considera quando questionada sobre a proibição de aceder a hotéis e restaurantes sem certificado digital ou teste negativo.

E apesar de estarmos em período de férias letivas e até das famílias, Graça Freitas replica a análise sobre o comportamentos habituais em época de trabalho e de escola para explicar o motivo pelo qual as medidas só se aplicam às sextas-feiras e fins de semana. "Temos um comportamento em relação às refeições nos dias de semana que é muito mais comedido, digamos assim. A maior parte de nós tem refeições curtas, com poucas pessoas, mais ou menos sempre com as mesmas, e portanto não há um ritual, não há convívio intenso. Diferente é o nosso comportamento ao fim de semana porque temos mais tempo, outras pessoas com quem podemos estar e, portanto, aqui as refeições são de facto um momento de risco.

Graça Freitas voltou a dar resposta ao pedido do Presidente da República para que a DGS explicasse a decisão de colocar o primeiro-ministro 10 dias em isolamento, apesar de ter a vacinação completa.

"Neste momento, nós ainda não temos tanta certeza sobre essa proteção. Ou seja, nós sabemos que duas doses mais 14 dias na maior parte das pessoas resultam e as pessoas estão protegidas. Mas ainda há uma percentagem que não fica imunizada." Mas a diretora-geral da DGS reconhece também que esse "princípio da precaução" seja revisto quando acabar a margem de incerteza sobre o comportamento da doença.

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