Governo alia-se à luta contra a mutilação genital

Três associações portuguesas premiadas pelos projetos contra o fim da Mutilação Genital Feminina

A escritora Inês Leitão lança hoje - Dia Internacional de Luta contra a Mutilação Genital Feminina - o documentário Este É o Meu Corpo. Uma denúncia e um alerta sobre uma realidade que, como diz a argumentista, muitos ignoram. "Muitas vezes pecamos por omissão. Vemos as coisas acontecer e não fazemos nada", disse. O governo português fez questão de se aliar a esta luta e ontem marcou presença - através do ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, e da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino - na entrega dos prémios às três associações cujos projetos se destacaram na promoção da erradicação da mutilação genital feminina (MGF).

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estima-se que 100 milhões a 140 milhões de meninas e mulheres em todo o mundo - com grande incidência em países africanos, onde a mutilação genital é considerada uma tradição - tenham sido submetidas a estes processos

Na Europa, a prática de circuncisão é ilegal, mas em Portugal há relatos de casos em que o ritual se cumpre em segredo. O primeiro estudo em Portugal revelou que mais de seis mil mulheres, com mais de 15 anos e residentes no país, foram submetidas a alguma forma de mutilação genital feminina. A grande maioria pertence à comunidade imigrante da Guiné-Bissau.

"Tenho obrigação de fazer alguma coisa pelas mulheres que vivem ao meu lado e são vítimas de violência, doméstica ou outra. Tenho obrigação de lhes dar voz e lutar por elas", disse à Renascença Inês Leitão.

A terceira edição do prémio contra a Mutilação Genital Feminina - Mudar aGora o Futuro foi para a Associação dos Filhos e Amigos de Farim, de Sintra, com o projeto Fator M - Ativismo pelo Fim da MGF. No contexto nacional, é em Sintra que reside o número mais significativo de mulheres que terão sido submetidas à mutilação genital: 1574. No âmbito deste projeto, vai ser criado um roteiro pelo fim da mutilação genital feminina, o que implicará a organização ou a presença em eventos no concelho de Sintra em que se possa passar a mensagem.

O segundo lugar foi para a Associação Mulheres sem Fronteiras, de Lisboa, com o projeto Pelo Fim da Excisão. Faço (p)arte. A ideia é envolver a sociedade civil, a academia e o universo artístico na criação de um movimento que possa contribuir para a eliminação da MGF. Em terceiro lugar ficou o Movimento Musqueba - Associação de Promoção e Valorização da Mulher Guineense, de Odivelas.

A mutilação genital feminina consiste no corte parcial ou total da parte externa dos genitais, geralmente realizada em crianças.

com Lusa

Exclusivos