Gangue que matou na autoestrada tem rasto de mais roubos

A Judiciária segue grupo armado que atacou em Sintra, ligando-o a três outros assaltos a carrinhas de valores em Cascais e Lisboa

Os seis encapuzados que assaltaram com violência uma carrinha de valores à porta de um hipermercado em Lourel, Sintra, ao início da tarde de domingo, são criminosos da zona que evoluíram dos furtos qualificados para os assaltos a carrinhas de valores. Segundo apurou o DN com fontes policiais, a Polícia Judiciária segue a pista de este ser o mesmo bando responsável por três outros assaltos à mão armada a carrinhas de transporte de valores na Área Metropolitana de Lisboa, sempre com os elementos encapuzados mas nem sempre com todos eles reunidos.

Mas há dois "imprevistos" no assalto de Sintra que o distingue de outros investigados: um despiste e um consequente homicídio. Os assaltantes despistaram-se numa curva à entrada da A16, na direção de Lisboa -Cascais, abandonando ali o Audi A3 roubado em que seguiam. Apeados, tentaram fazer parar um Mercedes, com um casal e uma criança no interior. O condutor não parou e foi baleado, tendo continuado a conduzir para salvar a família, mas acabou por morrer. Fonte policial acredita que essa morte tenha ocorrido acidentalmente. Os ladrões acabaram por fazer parar um Citroën C3 conduzido por uma jovem e foi nesse carro que seguiram.

A Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da PJ, que tem a cargo a investigação, pediu a análise forense ao interior do Audi A3 que os suspeitos largaram na A16. Entretanto, foi confirmado que roubaram os dois Audis ( uma carrinha e o A3 do despiste) usados no assalto no próprio dia. E nem se deram ao trabalho de trocar as matrículas, o que mostra pouco profissionalismo, segundo fontes policiais.

O primeiro assalto a um veículo de transporte de valores que pode estar relacionado com este gangue aconteceu no dia 23 de dezembro a uma carrinha blindada que ia recolher dinheiro ao Jumbo de Cascais, às 04.10 de uma terça-feira. Quando os funcionários da empresa de segurança saíram do hipermercado, na Avenida Marginal, quatro homens encapuzados e armados com caçadeiras avançaram. O saldo para os criminosos foi de cem mil euros roubados.

O segundo assalto, a 6 de fevereiro, em Lisboa, foi executado também por quatro elementos, armados com pistolas e encapuzados, a uma carrinha de valores que fazia a recolha de dinheiro na loja Decathlon da Avenida António Augusto de Aguiar. Terão levado uns milhares de euros.

O terceiro roubo, a 15 de fevereiro, voltou a ser concretizado por quatro encapuzados e no mesmo local do anterior. Os dois funcionários da carrinha blindada da empresa Esegur que faziam a recolha de dinheiro da Decathlon foram bloqueados e ameaçados pelos assaltantes quando saíam da loja de artigos desportivos com vários sacos cheios de dinheiro. Em escassos segundos, o bando levou os sacos e entrou no carro, em que chegara ao local e que tinha ficado a bloquear a carrinha blindada.

A investigação desses assaltos ficou a cargo da UNCT da PJ. Quando aconteceu o ataque de domingo à carrinha de valores do hipermercado Modelo-Continente de Lourel, os investigadores fizeram a ligação aos outros três inquéritos que ainda estão por fechar. Mas para já esta é apenas uma hipótese na investigação.

A empresa de segurança Loomis-Portugal, responsável pelo transporte de valores feito junto ao hipermercado Continente-Modelo de Lourel, Sintra, recusou nesta fase avançar ao DN com mais informações "por se ter tratado de um assalto violento e que está sob investigação da Polícia Judiciária", como justificou Carlos Rocha, do departamento de segurança da empresa.

PSP e GNR vão consultar bases

O DN confirmou que as duas forças de segurança que vão dar apoio à Judiciária não foram chamadas a fazer operações stop ou a colocar barreiras nas estradas para intercetar os assaltantes. O efeito que podia haver para uma mega-ação policial de buscas já se perdeu, teria de ser feito no próprio dia e na noite de domingo.

Mas também não foi realizado por haver a pista forte de que os assaltantes sejam da zona de Sintra, o que levará a PJ a pedir à PSP e à GNR para consultarem nas suas bases de dados suspeitos que possam ter estado a atuar em assaltos similares nos últimos meses.

A propósito da teoria de algum amadorismo revelado por estes assaltantes que mataram um condutor em Sintra, fonte policial sublinha que não são assim tão inexperientes. Conseguiram fugir muito agrupados: se fossem amadores cada um fugia para o seu lado, explicou. E mesmo quando o Audi A3 em que seguiam se despistou, agruparam os elementos de novo. O que vai ao encontro da hipótese de que serão um gangue de criminosos que evoluiu dos furtos para o roubo de valores.

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