Fuzileiros tomam navio com uma tonelada de cocaína

Na operação que teve lugar a 800 quilómetros de Portugal, Judiciária deteve os 17 tripulantes. Droga estava escondida num tanque

A ação foi ao estilo de um filme de Hollywood. A pedido da Polícia Judiciária, uma corveta da Marinha foi para o sul de Marrocos, em pleno Oceano Atlântico, entre Casablanca e Agadir, a 800 quilómetros de Portugal, transportando um grupo de operações especiais. Os fuzileiros saíram numa lancha rápida, aproximaram-se do cargueiro e escalaram o navio. Perante a entrada dos fuzileiros a bordo, os 17 tripulantes - indianos e paquistaneses - não ofereceram resistência, o que permitiu à equipa de combate ao narcotráfico da Polícia Judiciária entrar no cargueiro e fazer as detenções. Nenhum dos alegados traficantes estava armado.

A intervenção aconteceu na noite de quinta para sexta-feira passadas e o navio está agora apreendido pela PJ. A única carga que estava a bordo do impressionante cargueiro de 115 metros, com pavilhão das ilhas Comores (no extremo norte do canal de Moçambique), era 1130 quilos de cocaína com os pacotes a ostentarem o logótipo Hugo Boss. A droga estava escondida na parte de baixo do navio, num tanque de lastro vazio (normalmente recebem água de lastro para manter a estabilidade da embarcação).

"Foi a maior apreensão de cocaína deste ano pela Polícia Judiciária. Isto resultou também de uma troca de informações no quadro da agência MAOC-N - Maritime Analysis and Operations Centre-Narcotics, que tem sede em Lisboa", adiantou ao DN Joaquim Pereira, diretor da Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefaciente s (UNCTE) da PJ, que ontem explicou à imprensa a operação, ladeado pelos comandantes Carvalho Pinto, diretor do centro de operações marítimas da Marinha e Bernardo da Costa, porta-voz da Força Aérea (FA). A monitorização do navio foi feita por meios aéreos da FA.

A carga valeria perto de 50 milhões de euros (contas feitas a 45 euros a grama de cocaína) mas depois de tratada a cocaína valeria três vezes mais do que isso, adiantaram os responsáveis.

A Polícia Judiciária atuou para evitar que a carga desta droga entrasse em Portugal para daí abastecer o mercado europeu. "Eles terão carregado o navio a 600 milhas do Brasil, no vértice entre o Brasil e Suriname. Estavam a viajar no mar há semanas. Sabemos que em determinado ponto da viagem, se não os intercetássemos, fariam o transbordo da droga para uma embarcação mais pequena e rápida já mais perto de Portugal e Espanha", referiu Joaquim Pereira.

A origem da droga ainda está a ser apurada mas o mais provável é vir de um dos três destinos habituais: Bolívia, Colômbia ou Peru. "Há mil cargueiros a cruzarem as nossas águas por dia. É impossível fiscalizar a maior parte deles", concluiu o responsável da PJ.

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