Fugitivo vivia ao lado da prisão de onde escapou há 14 anos

O homem de 47 anos, condenado por vários furtos, vivia num acampamento perto da prisão da Covilhã, de onde fugiu em 2002. Um GNR foi atingido a tiro quando o foi buscar

Uma saída precária autorizada pela cadeia da Covilhã no Natal de 2002 foi aproveitada por um ladrão condenado a 6 anos e meio de prisão para fugir. Passaram 14 anos e esse homem, agora com 47 anos de idade, foi capturado ontem de manhã por militares da Unidade de Intervenção da GNR. Estava a viver bem perto da prisão a que nunca mais voltou, no acampamento de ciganos junto ao campo de futebol do Canhoso (freguesia da Covilhã).

O militar da GNR que, pelas 7.00 da manhã de ontem, fez a entrada na barraca onde o fugitivo vivia foi recebido a tiro de caçadeira, a uma distância de 1,50 metros. O atirador foi um amigo do recluso, um homem de 60 anos que também foi detido.

Segundo apurou o DN, o militar, ainda na casa dos 30 anos, alto e de porte atlético, usava colete à prova de bala pelo que resistiu ao impacto do tiro e ainda se atirou para cima do homem que disparou. "Se não fosse o colete à prova de bala, este militar poderia ter morrido ali já que foi atingido em cheio no esterno", adiantou, em declarações ao DN, o tenente-coronel Fernando Miranda, do comando territorial da GNR de Castelo Branco.

O guarda atingido a tiro "assegurou a sua segurança e a de todos os elementos da equipa", elogiou o oficial. É que a munição que se seguia na caçadeira do atirador era bago de zagalote, cujo impacto num corpo humano é muito superior ao do simples cartucho.

O recluso capturado foi reconduzido à cadeia da Covilhã. Agora terá de cumprir o resto da pena a que tinha sido condenado e ainda responder em tribunal pelo crime de evasão, que lhe poderá custar mais dois anos atrás das grades.

A captura foi possível devido a uma investigação que durava há quase um mês, levada a cabo pelos militares do Núcleo de Investigação Criminal da Covilhã. Havia informações, desde o início de maio, de que um evadido da cadeia regional estaria a viver no acampamento do Canhoso e que até andaria acompanhado pela filha de 11 anos. A mãe do recluso foragido e uma sua irmã também estariam junto dele.

Antes de se fixar por ali o homem terá andado sempre pela mesma região, no Fundão e em Condeixa. As informações recolhidas pelos militares que fizeram a investigação não apontavam para que ele fosse perigoso ou que tivesse armas consigo. Foi por isso com surpresa que a Unidade de Intervenção, que foi fazer a entrada no acampamento, se viu a ser recebida a tiro.

Armas ilegais em casa

O amigo do recluso evadido tinha ainda mais duas caçadeiras na barraca, para além daquela que usou. As três armas estavam ilegais.

Esse homem foi detido e irá responder pelo crime de posse ilegal de arma. Se o Ministério Público assim entender, arrisca também o crime de homicídio tentado.

Quanto ao evadido recapturado voltou à cadeia ciente de que enfrentará mais um processo. Evasão não é uma infração disciplinar mas um crime previsto e punido no Código Penal com dois anos de prisão.

Há um mês houve outro parecido

O mesmo comando da GNR de Castelo Branco foi responsável pela captura há um mês de um outro recluso evadido. O homem fugiu da cadeia a 17 de maio de 2001 onde estava a cumprir pena de seis anos pelo crime de tráfico de droga. Militares da Guarda foram encontrá-lo em Zebreira, Idanha-a-Nova. O foragido, de 39 anos, acabou por se entregar à GNR quando percebeu que decorria uma operação que visava a sua detenção.

Após a confirmação da identidade, o homem foi entregue no estabelecimento prisional de Castelo Branco. Na captura desse evadido estiveram envolvidos militares do Posto Territorial da Zebreira e do Destacamento de Intervenção de Castelo Branco. Muitos dos presos que não voltam à prisão depois de uma precária regressam ao crime. Foi o caso de Mário, um assaltante de bancos que cumpria 24 anos em Vale de Judeus quando decidiu voltar a atacar em 2015. Resultado: 11 assaltos e a sua detenção.

Exclusivos

Premium

Flamengo-Grémio

Jesus transporta sonho da Champions para a Libertadores

O treinador português sempre disse que tinha o sonho de um dia conquistar a Liga dos Campeões. Tem agora a oportunidade de fazer história levando o Flamengo à final da Taça Libertadores para se poder coroar campeão da América do Sul. O Rio de Janeiro está em ebulição e uma vitória sobre o Grémio irá colocar o Mister no patamar de herói.