Fragmento de papiro do Novo Testamento estava à venda no Ebay

"Isto não pode ser vendido no Ebay", disse investigador. "A História não pertence a só uma pessoa", acrescenta outro

É um pequeno pedaço de papiro, do tamanho de um cartão multibanco, que contém um fragmento do Evangelho de São João. Estava a ser vendido no Ebay em janeiro, num leilão a começar nos 99 dólares, quando um investigador o descobriu e decidiu intervir.

"Isto não pode ser vendido no Ebay", disse ao jornal norte-americano The New York Times o perito Geoffrey Smith, que viria a datar o papiro como tendo sido feito entre 250 e 350 D.C. O investigador da Universidade do Texas interveio junto do vendedor do fragmento, e pediu que, em vez de o vender, o cedesse para ser analisado. Assim, impediria que o papiro potencialmente histórico acabasse numa coleção privada, sem nunca ser estudado.

Geoffrey Smith apresentou os resultados da sua investigação este sábado, numa conferência dedicada à literatura bíblica, na cidade de Atlanta, estado da Georgia, EUA.

O fragmento de papiro ajuda a perceber melhor a história dos textos bíblicos e mesmo dos formatos literários em geral. Como explica o investigador Larry Hurtado, da Universidade de St. Andrews na Escócia, ao New York Times, os primeiros cristãos não tinham o hábito de usar rolos de papiro para os seus textos, dando antes preferência ao códice, ou livro - este é o único papiro grego do Novo Testamento que se conhece pertencer a um rolo novo.

Na parte detrás do rolo que contém o fragmento do evangelho encontra-se outro texto, ambos escritos na mesma caligrafia, o que dá a entender que seria um exemplar para estudo privado, e não para uso litúrgico.

Mas a situação do papiro descoberto no Ebay esconde uma história mais complexa, conta o New York Times, de muitos artefactos deste género que estão a ser vendidos ilegalmente, o que causa problemas e ansiedades aos investigadores que os estudam.

"A História não pertence a só uma pessoa", disse o investigador Brice C. Jones ao jornal norte-americano. "Coletivamente, é nossa. Tem que estar disponível para ser estudada, para ser exibida".

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