Fogo na serra da Estrela com 90% do perímetro dominado. Duas frentes ainda preocupam

Incêndio deflagrou no dia 6 de agosto em Garrocho, no concelho da Covilhã, e foi dado como dominado no sábado, dia 13, mas sofreu uma reativação na segunda-feira.

O comandante nacional de Emergência e Proteção Civil afirmou esta quarta-feira que "90% do incêndio na serra da Estrela encontra-se dominado". André Fernandes referiu, no entanto, que existe ainda uma frente ativa do lado do distrito de Castelo Branco, na zona da Covilhã, "é a que nos preocupa mais", e a frente localizada já no distrito da Guarda, que apresenta "vários pontos quentes, com oportunidades de abertura de incêndio caso haja reativações."

"Este incêndio tem um perímetro de cerca de 160 quilómetros", deu conta o comandante nacional da Proteção Civil. É necessário, por isso, uma grande atenção e disposição dos meios "para evitar reativações e as janelas de oportunidade que o incêndio tem para escapar", explicou.

No briefing, que ocorreu ao início desta tarde na sede da Proteção Civil, em Carnaxide, André Fernandes referiu que, até ao momento, há a registar 21 feridos ligeiros, três feridos graves e 46 assistidos no teatro das operações. No que se refere aos feridos graves, três bombeiros, o responsável adiantou que todos já tiveram alta e que se encontram em casa.

As autoridades estabeleceram três prioridades para o dia de hoje, que passam pela contenção junto à frente entre a Quinta da Atalaia, Teixoso e Orjais. "Será a zona de maior pressão face à previsão de vento de norte/noroeste e ao aumento de vento ao longo dia", explicou, sendo que "esta frente tem cerca de 4,5 quilómetros de extensão, o que que vai exigir um grande esforço por parte dos operacionais".

Os outros objetivos passam pela "consolidação na frente do distrito da Guarda, entre Gonçalo e Famalicão da Serra", para que não haja probabilidade haver reativações, e depois os trabalhos de consolidação, rescaldo e vigilância ativa no perímetro global do incêndio, que são cerca de 160 quilómetros.

"Do ponto de vista daquilo que foi esta nova fase do incêndio", estima-se que a área ardida "cifra-se em cerca de 10 mil hectares", adiantou ainda o comandante nacional da Proteção Civil. "Durante quatro, cinco horas esta área ardida teve uma grande expansão, já no dia 15. Foi um incêndio de com bastante violência", relatou.

Às 12:41, o incêndio que lavra na serra da Estrela estava a ser combatido por 1.237 operacionais, 392 meios terrestres e 12 meios aéreos, segundo o site da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Este fogo deflagrou no dia 6 de agosto em Garrocho, no concelho da Covilhã, e foi dado como dominado no sábado, dia 13, mas sofreu uma reativação na segunda-feira.

Mantém-se danos em duas casas de primeira e segunda habitação em Vale Formoso, tendo sido deslocadas das suas casas 45 pessoas, sendo que a maioria já regressou ás suas habitações.

Perante a onda de calor que se prevê começar já a partir de sábado (dia 20), o comandante nacional da Proteção Civil refere que há um contacto permanente com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para a antecipação de medidas e assinalar as áreas com maior potencial de risco.

Acidente com veículo tanque dos bombeiros faz dois feridos

Na tarde de terça-feira, dois bombeiros ficaram feridos na sequência de um acidente rodoviário perto de Sarzedo, Covilhã, no distrito de Castelo Branco.

De acordo com a ANEPC, tratou-se de um acidente com um "veículo tanque" de combate incêndios. Num 'briefing' às 19:00 de terça-feira, o comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, André Fernandes, revelou que os dois bombeiros sofreram "ferimentos ligeiros" e foram transportados para uma unidade hospitalar, não apresentando "cuidados de maior".

A viatura, que pertencia aos Bombeiros Voluntários de Carnaxide (concelho de Oeiras, distrito de Lisboa), terá resvalado e tombado, acrescentou.

Devido ao incêndio, as localidades de Sarzedo, Orjais e Vale Formoso tiveram que ser evacuadas.

O fogo atingiu também os concelhos de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, todos no distrito da Guarda.

Na noite de terça-feira, o presidente da Câmara de Manteigas, Flávio Massano (independente), indicou já não haver incêndios ativos no concelho.

"Já não temos [fogos ativos]. Neste momento, o concelho de Manteigas está bastante mais calmo. Diria que não há muito mais por onde arder, porque efetivamente tivemos 10 dias de incêndio e ele calcorreou toda a sede do concelho, passou para a freguesia de Sameiro onde não deixou nada verde", afirmou o autarca em entrevista à estação de televisão CNN Portugal.

No entanto, a Proteção Civil disse esperar ter o incêndio na Serra da Estrela dominado nos próximos dois dias, aproveitando a "janela de oportunidade" criada pelo desagravamento das condições meteorológicas, previsto a partir da próxima madrugada.

Além disso, o cheiro a queimado e o fumo resultantes fogo chegaram às regiões espanholas de Madrid e Castela e Leão, indicaram a imprensa e os serviços de emergência locais.

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